Destaques
25/09/2023
Lição de vida
Elizeth Pelegrini é uma mulher em constante construção. Cada aprendizado é um tijolo que sustenta sua personalidade e define a sua essência. Ela ergue um pouco de si mesma a cada dia, como uma propriedade sendo levantada aos poucos: por um novo conhecimento, por meio de uma nova profissão ou pela troca de experiências. “É como se eu tivesse construindo uma casa, e esses tijolos de conhecimento fazem parte da estrutura que vai receber um telhado”, define. “Mas eu não quero por o meu telhado agora”, avisa logo. Aos 56 anos, ela quer mais. Assume gostar de mudanças. Profissionalmente, nunca temeu desafios. Por uma década, foi funcionária de banco privado. Passou pelo atendimento, abriu contas, trabalhou no mercado de ações e orientou aplicações dos clientes. Formada em Ciências da Computação, fez parte da construção de uma Usina Hidrelétrica em Minas Gerais, onde transformava, por meio do desenvolvimento de softwares, a força das águas em energia para iluminar as casas. Também se formou em Letras e foi parar na sala de aula. Tornou-se cooperativista e se especializou em Gestão de Sociedades Cooperativas. Entre tantas versões de si mesma, Elizeth Pelegrini é também associada na Cooperativa de Trabalho Magna – Colégio CEM, com sede em Concórdia, Santa Catarina. Desde março de 2004, ela assumiu o cargo de Presidente do Conselho de Administração da Cooperativa — reconhecida nacionalmente pela excelência em gestão, com destaque para a governança. Desde então, comanda a escola que nasceu, há 25 anos, pautada pelos princípios do cooperativismo e, hoje, conta com 38 associados, todos profissionais da educação. Ao todo, são 480 alunos, com idade entre 5 meses e 18 anos, matriculados na educação infantil, no ensino fundamental e no ensino médio. O colégio CEM oferece um serviço diferenciado. Em 2018 e 2020, recebeu o Prêmio SomosCoop Melhores do Ano. Também foi reconhecido em 2019 e 2021 no Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão – premiação vinculada ao diagnóstico Governança e Gestão – Avaliacoop. É considerado um modelo de inovação, principalmente por ser o único do Brasil a ter uma minicidade. Idealizada na gestão de Elizeth, o projeto levou para dentro da escola a simulação de uma cidade com Prefeitura, Câmara de Vereadores, Casa Cultural, Casa da Ciência, Livroteca, Centro de Convenções, Casa da Ocesc (Representando o Sistema Cooperativista), Cooperativas de Crédito, por exemplo. Tem regras de trânsito e até eleição de prefeito. A proposta é que os estudantes e os professores vivam experiências reais em que possam colocar em prática os princípios do cooperativismo e, assim, aprimorem as habilidades exigidas para viver em sociedade. Queremos que os nossos alunos desenvolvam valores e princípios que os levem a perceber e a efetivar mudanças de comportamento, de paradigma e a transformação de sua realidade política e social. Queremos incentivá-los a terem respeito com o outro e com a comunidade que está a sua volta e a entenderem, por exemplo, que se tem um mendigo na praça isso também é problema nosso. Nós temos que nos preocupar. Temos que ser melhores”, diz a gestora. O FRUTO NUNCA CAI LONGE DO PÉ O cooperativismo sempre esteve presente na vida de Elizeth. O pai dela era cafeicultor e associado a uma cooperativa de café em Araguari, Minas Gerais. Ela o acompanhava no trabalho e nas assembleias dos cooperados. Desde então, se apaixonou pelo conceito. “Ela é uma cooperativista do fundo do coração. Defende não só os princípios do cooperativismo, mas age, realmente, cooperativamente. Ela é a pessoa mais receptiva e inclusiva que eu conheço”, descreve o amigo Elvio Silveira, que, por 35 anos, dedicou-se ao sistema cooperativo. E Elizeth seguiu os caminhos do pai, mais por vocação do que por planejamento. Quando ela deixou a companhia hidroelétrica em que trabalhava e enviou o currículo para uma vaga de professora de informática, não imaginava que o Colégio CEM era resultado de uma mobilização de 22 professores que queriam encontrar uma solução para que a Escola de Aplicação da Universidade do Contestado, em Concórdia, mantivesse as portas abertas. Surgia então, em 1998, uma instituição sem fins lucrativos, regida por princípios cooperativistas. Pelo destino, Elizeth se associou ao colégio em 2001, com a missão de ensinar crianças e adolescentes a usarem software e linguagem de programação. Logo, se viu ministrando aulas de inglês, português e matemática para os alunos de 6 e 7 anos. “Foi um grande desafio porque eu nunca tinha estado em sala de aula, mas fui descobrindo outras habilidades, outras aptidões e me adaptando. Coloquei em prática muitas competências que eu já sabia e aprendi outras mais”, lembra. CONQUISTA POR MÉRITO Ensinar e aprender, aliás, é um dos muitos talentos dessa mineira. Quem a conhece, diz que ela tem uma capacidade ímpar de mediar conflitos, de se fazer ouvida e também de ouvir. “Ela tem um dom muito lindo de falar. Eu admiro vê-la falando, ver como ela impacta e cativa as pessoas. Ela sempre busca compartilhar conhecimento. Ela sempre transborda”, relata a filha, Natália, ao se referir a mãe, a dona de uma voz suave e fala pausada sempre entremeada por um sorriso. Resultado de estudo, técnica e talento nato, logo descobriram que Elizeth tinha “didática e metodologia” para desempenhar as tarefas e, três anos depois, foi convidada para ser presidente da cooperativa, cadeira que ocupa até hoje. Um cargo de destaque ainda é ocupado por poucas mulheres. Na nossa cooperativa somos a maioria e nunca tivemos um homem presidente. Mas, no contexto do sistema cooperativo, a presença da mulher ainda é pequena. Elas estão nos cargos executivos, nos conselhos, na diretoria, mas não na presidência. É um sistema masculino, mas que passa por um processo de mudança com as gerações que se adequam às transformações culturais e sociais”, analisa a presidente. Também por isso, Elizeth tornou-se exemplo para outras mulheres também assumirem comandos. É atual vice-presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), e, há 16 anos, atua como representante do Ramo junto aos Conselhos Estadual e Nacional. Além disso, faz parte da Associação de Empresárias de Concórdia. A cooperativista foi também a primeira mulher em Santa Catarina a assumir um cargo no Conselho de Administração da Organização do Estado, mas se recusa a reproduzir a fala de que “é preciso dar mais lugares às mulheres”. A professora prefere reformular a tese e diz que “a mulher conquista espaços porque realmente tem as habilidades necessárias para ocupá-los. Ela só precisa ter acesso a essas oportunidades.” Como cooperativista que é, Elizeth prefere a união de esforços e de diferentes pontos de vista. Masculino e feminino somados por um resultado de equilíbrio. “Não vejo uma disputa entre homens e mulheres. A mulher, além de ter uma sensibilidade maior, estuda e se prepara mais. Ela é mais sensível e comedida na tomada de decisões. O homem já é mais arrojado e penso que isso equilibra. Os dois ganham. Então, parceria para mim é par”, avalia. E ser vencedor no coletivo é um dos princípios do cooperativismo. Cooperar e construir em grupo é o que leva o colégio CEM a ocupar o pódio quando avaliado. O segredo está em entender que se trata de um grupo de associados em prol da oferta de um serviço de excelência. Trata-se de uma mudança de mentalidade que deixa de lado o papel de funcionário para assumir que todos são donos. “Quando o nosso professor entende que ele é um associado e que quanto mais qualidade ele exerce em sala de aula, mais retorno financeiro terá. O resultado é que agrega mais valor ao produto dele como professor, tem mais reconhecimento profissional e retorno econômico. Isso também é gestão.” CHIMARRÃO COM PÃO-DE-QUEIJO Nascida no município de Indianópolis, em Minas Gerais, Elizeth viveu até os três anos de idade na roça. Foi criada em Uberlândia, mas sempre voltava para o campo nas férias. Lá, estão as mais saborosas e perfumadas lembranças da infância. O “cheiro do café invadindo a cozinha”, o sabor do biscoito frito ou da comida roubada do fogão da mãe para fazer “cozinhadinha” nas panelas de criança. Filha caçula de seis irmãos, deixou a cidade natal para escolher uma nova terra, onde fincou raízes. Um trabalho temporário a levou para Concórdia, no Sul, com filhos e o ex-marido. O trabalho acabou, o casamento chegou ao fim, mas ela resolveu ficar naquela região onde tem geadas, entre gente que fala português misturado com dialetos vindos do italiano ou do alemão. Achava que ali teria mais qualidade de vida para os filhos crescerem e decidiu deixar o resto da família em Uberlândia. “Foi uma ruptura para eles porque fui a primeira a sair do seio familiar”, lembra. E não se arrepende. Foi quando “saiu da caixinha”, nunca mais voltou. “A minha caixinha já queimou... joguei fogo nela”, ri. Mas quando pode, visita essa mesma caixa e vai rever irmãos, tios e sobrinhos. Pai e mãe já não estão por aqui. Não posso deixar de amar o lugar que eu nasci, onde tenho a minha família”, afirma com o sotaque mineiro já misturado com o cantado tão característico de quem nasceu no Sul. Versátil, facilmente Elizeth adaptou-se ao novo Estado. Tanto que toma chimarrão, mas não abre mão do pão de queijo. Aliás, faz questão de dizer que a receita que faz da iguaria mineira é apreciada pelo paladar dos amigos catarinenses. Não falta quem se convide para um lanche na casa dela só para comer um pãozinho desses saído do forno. E a mineira gosta de casa cheia. Tradição familiar de manter gente amada reunida em volta da mesa. Gosta de conversa, da pizza em família no sábado à noite, do almoço de domingo ou das tardes com pipoca. Ela faz questão da presença dos filhos Augusto, 35, e Natália, 30. A caçula diz que a mãe é boa de prosa, companhia ideal para compartilhar pensamentos e ensinamentos. É assim desde sempre. Se é uma mãe docemente firme, Elizeth não nega que amoleceu com os netos Alice,6, e Bernardo 5. “Meu Deus do céu! Ri. Eu não estrago meus netos. Eu me estraguei!”, dá uma risada, daquelas que terminam em covinhas. “Acho que toda a pedagogia, todo limite, caiu por terra. É um amor que a gente não sabe falar o que é. Não tem palavras. Não me pergunte porque não sei escolher uma palavra para definir isso, mas é muito bom.” Quando está com eles, Elizeth literalmente se joga no chão, rola na grama. Perde a conta da velocidade do tempo. Eles brincam juntos. As crianças levam seus brinquedos e a avó tem os dela, aqueles que os netos levaram de presente para ela. É farra garantida. UMA MULHER EM MOVIMENTO Elizeth tem asas nos pés. Ela acorda e pedala. Fim de semana caminha. Não são passos apressados e distraídos, mas uma jornada atenta e aprazível, assim como ela conduz a vida. Durante o confinamento imposto pela pandemia, ela e alguns amigos decidiram andar ao ar livre, espairecer a mente. A prática deu tão certo que virou o grupo “Liga Cacopé” e hoje soma mais de 50 pessoas que se encontram aos sábados para conhecerem as comunidades próximas a Concórdia a pé. O destino são pequenos povoados que se reúnem em torno de uma escola, de uma igreja e de um centro comunitário. De alguns, restam apenas ruínas. Elizeth e os amigos caminham entre 20 km a 25 km por fim de semana. No trajeto, conhecem gente, comem frutas direto do pé, fazem fotos das paisagens... “É um momento para desestressar”, define. Ela nunca para. A filha Natália diz que uma das maiores qualidades da mãe, às vezes, também pode ser um defeito. Ela se entrega demais aos projetos. Falta tempo. Elizeth concorda que é perfeccionista. Mas faz parte dela querer saber mais, estudar sempre e jamais estacionar. Quando está em repouso físico, ela acelera o cérebro. Estuda piano e ama música clássica. A professora está aprendendo grego, hebraico e história. E para conhecer mais sobre o assunto, ela faz como sempre: pesquisa, destrincha, lê, debate. Até que chegue ao ponto final, porém, ela ainda tem muito a fazer. Não restam dúvidas. “Até lá, quero fazer o melhor enquanto avó, mãe e profissional no colégio CEM. Ser a melhor que eu puder para o sistema cooperativo sem querer nada em troca. Não é uma barganha financeira. É sentimento. É algo maior. Eu faço porque eu amo. Eu amo isso aqui”, repete três vezes. Esta matéria foi escrita por Flávia Duarte e está publicada na Edição 41 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
01/02/2024
Construindo juntos estratégias para o coop
Ser a voz de milhões de brasileiros que escolheram o cooperativismo como fonte de trabalho e renda é, sim, uma grande responsabilidade. São mais de 20 milhões de pessoas, de Norte a Sul do país, que acreditam na união e na gestão democrática como caminho de crescimento. Dessa forma, cooperados de todo o Brasil conquistam diariamente o seu espaço no mundo dos negócios e na sociedade. E os números mostram a força do nosso movimento. Só em 2023, as cooperativas registraram R$ 966,6 bilhões em ativos.
Por isso, defender as bandeiras do cooperativismo é uma missão que o Sistema OCB leva a sério e faz com muito orgulho. Esse é um trabalho feito por muitos, a partir da troca de ideias, do desenho de estratégias e da construção conjunta, bem no estilo coop. “E são as próprias cooperativas que definem suas pautas prioritárias e compartilham com o nosso time de especialistas nos estados e na Unidade Nacional. Um material que depois é transformado em um grande plano de ação anual com temas comuns a todas as cooperativas. E as particularidades de cada segmento são contempladas em planos específicos”, explica o coordenador de ramos do Sistema OCB, Hugo Andrade.
Esse processo acontece dentro dos Conselhos Consultivos do Sistema OCB. Hoje, as 4.693 cooperativas brasileiras estão organizadas em sete ramos diferentes, de acordo com a atividade econômica que realizam. E cada um dos ramos tem o seu próprio conselho. Eles são formados por representantes de cooperativas regulares com a OCB, indicados pelas nossas Organizações Estaduais. A participação nos conselhos também é aberta a colaboradores dos estados. Nada mais justo, afinal eles estão bem próximos às coops e acompanham de perto as suas atividades. No caso específico dos ramos Crédito e Saúde, existem também as indicações feitas pelas confederações atuantes nesses segmentos.
Coordenação
Para organizar ainda mais os processos e facilitar a interlocução entre as cooperativas e o Sistema OCB, cada conselho consultivo tem uma coordenação. Ela pode ser colegiada, ou seja, formada por dois ou mais conselheiros, como é o caso do Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços. Existe também a possibilidade dessa coordenação ser exercida por um representante escolhido pelo grupo, como acontece, por exemplo, com o Ramo Consumo. A cada dois ou três anos, os coordenadores são alterados, podendo variar o tempo de permanência de um conselho para o outro.
E qual seria exatamente o papel da coordenação? Os coordenadores ficam responsáveis por representar o conselho nos órgãos estatutários da OCB, convocar as reuniões, dar encaminhamento ou executar diretamente as deliberações definidas pelo grupo de conselheiros. É importante que os coordenadores busquem sempre o consenso nas discussões e reforcem os posicionamentos em todos os espaços de interação, mantendo uma posição uniforme no trato de todas as questões de interesse dos ramos.
Curiosidade Você sabia que a atuação dos conselhos está prevista no Estatuto da OCB desde 1977? Eles foram criados pela própria diretoria da instituição, como uma estrutura auxiliar, trazendo contribuições diretamente da base. Com isso, ganha o cooperativismo e todo o sistema, com ações, projetos e planejamentos que espelham a realidade, as necessidades e os desafios de todas as cooperativas.
É justamente isso que destaca o coordenador de ramos do Sistema OCB: “Os conselhos consultivos têm o papel essencial de trazer para os espaços de debate nacional as demandas que são prioritárias para cada ramo, espelhando também as especificidades de cada um dos estados. Portanto, é essencial que os conselheiros olhem para além das cooperativas às quais eles estão vinculados e proponham ações e projetos que possam fortalecer os ramos como um todo”, comenta Hugo Andrade.
Como os conselhos consultivos funcionam na prática?
Via de regra, os conselhos consultivos se reúnem, pelo menos, uma vez por ano. E depois da pandemia, esses encontros passaram a acontecer, em sua maioria, no formato on-line. Esse tipo de definição, sobre a periodicidade dos encontros, consta no regimento interno de cada conselho. É neste mesmo documento que são descritas a missão, as competências, a forma de coordenação, entre outros pontos. Existem estruturas complementares ligadas aos conselhos consultivos. São as câmaras temáticas, que têm funções ainda mais específicas, se reúnem mais vezes durante o ano e discutem temas mais peculiares. O Ramo Infraestrutura, por exemplo, conta com três câmaras temáticas – de Geração Distribuída, de Distribuição de Energia e de Habitação.
Números em destaque
7 conselhos consultivos, um para cada ramo do cooperativismo20 câmaras temáticas discutindo temas específicosCerca de 300 pessoas – entre representantes de cooperativas e de organizações estaduais participando dos conselhos consultivos e das câmaras temáticas Todos os debates contam com a participação ativa da equipe técnica dos Sistema OCB
Conheça os 7 ramos do cooperativismo
*Agropecuário
*Consumo
*Crédito
*Infraestrutura
*Saúde
*Trabalho, Produção de Bens e Serviços
*Transporte
Conquistas na prática
O resultado desse trabalho feito em conjunto com as próprias cooperativas, as organizações estaduais da OCB e o nosso time de especialistas pode ser visto na prática. Acordos de cooperação técnica com órgãos do governo, realização de missões e elaboração de planos de ação estruturantes são alguns exemplos. Isso, sem falar na constante avaliação e proposição de políticas públicas e legislações que estimulem um ambiente favorável à atuação e ao desenvolvimento do cooperativismo em todo o país. E neste último ponto, em especial, contamos também com a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop).
Perspectivas para 2024
Segundo Hugo Andrade, o objetivo é contar com os conselhos consultivos para o fortalecimento de todos os ramos do cooperativismo, a partir do compartilhamento de informações que subsidiem a atuação técnica do Sistema OCB. “Estamos constantemente atentos às necessidades e aos desafios das cooperativas brasileiras para ajudá-las a vencerem as dificuldades e construírem uma jornada de crescimento, contando com um ambiente que favoreça esse processo”. O coordenador de ramos do Sistema OCB faz questão de complementar, chamando a atenção para um olhar direcionado também a novas oportunidades. “Não paramos por aí, estamos sempre em busca de novas oportunidades de atuação para todas as cooperativas, acompanhando todas as tendências. E o trabalho com os conselhos consultivos e as câmaras temáticas também contribui para isso”, ressalta.
Temas gerais que estarão em destaque para todos os ramos e conselhos consultivos em 2024:
Defesa do ato cooperativo – esse é um dos temas prioritários para o Sistema OCB, em uma atuação sistemática junto aos Três Poderes. E já tivemos vitórias importantes nesse sentido, como a previsão do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, assim como de um regime específico para as cooperativas, no texto da Reforma Tributária, aprovado pelo Congresso Nacional em 2023. A ideia é evitar a duplicidade de cobrança e a ocorrência de uma tributação mais pesada ao modelo cooperativo, em relação aos demais modelos de negócios.
Projeto de reorganização de cooperativas – as cooperativas têm legislação própria e não recorrem às normas previstas na chamada Lei de Falências (Lei 11.101/2005), em função de suas especificidades. Esse é um processo que pode colocar as cooperativas em desvantagem competitiva frente aos modelos societários empresariais. Para mudar essa realidade, o Sistema OCB trabalha pela aprovação de um texto que permita às coops a oportunidade de superar possíveis instabilidades financeiras, preservando suas características particulares. Participação de cooperativas no mercado de seguros – o objetivo é ampliar a possibilidade de atuação das cooperativas nesse mercado, beneficiando um número crescente de cooperados. E fazer isso em conformidade com a legislação cooperativista, garantindo ao modelo de negócios coop seus direitos e deveres. Vale ressaltar que o cooperativismo tem uma presença global consolidada e significativa no mercado de seguros. São cerca de 5 mil cooperativas, presentes em 77 países, com 333 milhões de membros atendidos e aproximadamente R$ 11 trilhões em ativos totais, segundo dados de 2021 – da ICMIF (Federação Internacional de Cooperativas e Seguros Mútuos).
Saiba mais Nós lançamos em 2023 o Guia de Representantes do Sistema OCB. A ideia é promover boas práticas de relacionamento entre os representantes do cooperativismo e os mais diversos públicos estratégicos para o movimento, tanto dentro do próprio coop quanto externamente, no contato com diferentes instituições. Um material interessante também para quem atua nos conselhos consultivos e nas câmaras temáticas do Sistema OCB. Vamos juntos vestir a camisa e fortalecer o orgulho de ser coop!
05/03/2024
Inovação social no cooperativismo: novas ideias a serviço do bem-estar coletivo
Quando a inovação se junta com o cooperativismo, o resultado são soluções com benefícios que vão além do econômico, com impacto na vida das pessoas. Esse conceito é conhecido como inovação social, e, apesar de não ser exclusivo do cooperativismo, tem tudo a ver com o nosso modelo de negócio.
“Quando falamos de inovação social, nos referimos ao desenvolvimento de novas soluções para melhorar o bem-estar de pessoas e comunidades. Em essência, trata-se da aplicação de ideias inovadoras para resolver problemas sociais, ambientais ou para promover um desenvolvimento mais sustentável e inclusivo”, explica o gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Guilherme Costa.
Ao contrário do conceito tradicional de inovação, em que o principal objetivo é buscar soluções competitivas e mais eficientes do ponto de vista econômico, na inovação social o foco é gerar benefícios que possam ser compartilhados com todos, com um enfoque no bem-estar das pessoas e das comunidades.
“O objetivo é criar soluções sustentáveis e de impacto positivo que beneficiem a sociedade como um todo, promovendo equidade, inclusão social, e melhor qualidade de vida", acrescenta Costa. "A inovação social coloca o progresso humano e ambiental no centro de suas atividades, buscando não apenas o sucesso econômico, mas também o desenvolvimento social e a sustentabilidade ambiental.”
Ainda de acordo com o gestor, o próprio cooperativismo pode ser considerado uma inovação social. Afinal, trata-se de um modelo de negócios criado para resolver problemas sociais da época de seu surgimento, em 1844, quando a Inglaterra enfrentava uma grave crise econômica e de desemprego.
Hoje em dia, a relação entre cooperativismo e inovação social se dá de forma ainda mais clara, porque a atuação das cooperativas têm impactos diretos nas comunidades em que estão presentes.
“Uma cooperativa trabalha para atender aos interesses econômicos e sociais de seus cooperados, e, por consequência, as comunidades também são positivamente impactadas. Para se ter uma ideia, de acordo com estudo publicado no Anuário do Cooperativismo Brasileiro em 2023, nos municípios brasileiros onde há presença de cooperativas, a média de PIB [Produto Interno Bruto] por habitante é, em média, 18,6% maior do que em municípios sem cooperativas”, compara Costa.
IMPACTO NO MERCADO
Uma inovação social produzida pelo cooperativismo pode ter impactos que vão muito além das coops e levar a transformações no mercado. Isso porque outras empresas também passam a utilizar as novas ferramentas, multiplicando os benefícios da inovação para a sociedade.
“Iniciativas que focam em responsabilidade social e ações de cooperação com impacto coletivo na transformação social são somadas às novidades, ações de maior eficiência e eficácia, com maior margem para escalabilidade e replicabilidade. Elas são impulsionadas não apenas pela necessidade de responder a desafios sociais e ambientais, mas também pela crescente demanda de mercado, por práticas mais responsáveis e sustentáveis”, afirma o gerente do Sistema OCB.
Um exemplo que mostra bem o impacto de uma inovação social do cooperativismo para uma comunidade e para todo um segmento econômico é o projeto Barracred Conecta, da cooperativa de crédito Barracred, de Barra Bonita (SP). A iniciativa oferece capacitação para jovens em tecnologia da informação integrada a valores cooperativistas. A ideia surgiu em 2023, depois que a cooperativa ampliou seu setor de tecnologia e se deparou com a falta de mão de obra especializada na região.
Com uma estrutura própria que simula o ambiente de uma startup de tecnologia, o programa oferece aulas teóricas e práticas de tecnologia da informação, inglês, treinamento de habilidades pessoais e profissionais, além de um estágio. “Conseguimos capacitar e encaminhar esses jovens para o primeiro emprego, revelando talentos para o mercado. Contribuímos para que eles se tornem protagonistas de suas próprias histórias, transformando sua realidade, a de suas famílias e também a da comunidade em que vivem”, explica a coordenadora de Responsabilidade Social da Barracred, Andresa Baratela.
Além do impacto social direto para os estudantes, o programa ampliou a oferta de profissionais capacitados para empresas da região, que tem se consolidado com um polo de tecnologia. A primeira turma formada pelo Barracred Conecta registrou 75% de contratação após o estágio.
Assim como o projeto de capacitação da cooperativa paulista, o cooperativismo é palco de inovações sociais em vários ramos e em todas as partes do país. As cooperativas brasileiras são referência internacional em inovações sociais com impacto na segurança alimentar e no combate às mudanças climáticas, com benefícios tanto para seus cooperados quanto para a sociedade.
Conheça mais exemplos de inovação social no cooperativismo:
Intercooperação para geração de energia: No Rio Grande do Sul, a cooperativa de eletrificação Certel se uniu às cooperativas de crédito Sicredi Ouro Branco, Sicredi Integração RS/MS, Sicredi Região dos Vales e Sicredi Botucaraí para a construção da Usina Hidrelétrica Vale do Leite, no Rio Forqueta. Além de garantir a geração de energia limpa e renovável para milhares de pessoas, a inovação social levou a um incremento de renda, empregabilidade e desenvolvimento na região de atuação das coops.
Energia limpa e solidária: Uma inovação social do Sistema Ocemg incentiva as cooperativas do estado de Minas Gerais a construírem usinas fotovoltaicas para suprir a demanda de suas unidades e doar parte da energia a entidades filantrópicas. Por ano, o Programa de Energia Fotovoltaica do Cooperativismo Mineiro, MinasCoop Energia, beneficia diretamente mais de 4 milhões de pessoas ligadas às entidades que recebem energia limpa das cooperativas.
Produção sustentável e renda extra: Em uma inovação social com benefícios ambientais no ramo Agronegócio, a Cocamar promove a integração lavoura-pecuária-floresta para sustentabilidade e diversificação de renda dos cooperados. O projeto Super Integração auxilia os produtores cooperados a utilizar de maneira sustentável suas propriedades, e mostra que é possível produzir soja e bovinos de forma harmônica com florestas de eucaliptos, com menos intervenções na terra, menor impacto ambiental e geração de renda extra.
Pesquisa e capacitação para cooperados: Para impulsionar inovações sociais e projetos comunitários, as cooperativas Coopercitrus e Credicitrus, de São Paulo, criaram em 2019 uma fundação para promover o desenvolvimento de seus cooperados e da comunidade no entorno. A Fundação Coopercitrus Credicitrus atua no desenvolvimento de projetos voltados à pesquisa, educação e meio ambiente, como as iniciativas CooperSemear e CooperNascentes.
“Estes projetos refletem a união entre sustentabilidade, inovação e desenvolvimento social, ressaltando o papel vital das cooperativas na promoção de um futuro mais sustentável”, destaca Guilherme Costa.
Inovação social x projetos sociais
Apesar do propósito de beneficiar pessoas e trazer benefícios coletivos, inovação social não é sinônimo de projeto filantrópico nem de ações sociais da agenda ESG – sigla em inglês para Environmental, Social and Governance – que se refere a iniciativas de responsabilidade social corporativa.
Para ser inovação, uma ação deve introduzir uma novidade, resolver problemas de maneira mais eficiente, ser sustentável a longo prazo e ter potencial de escalabilidade e replicabilidade.
Enquanto projetos sociais ou ações ESG estão ligados a compromissos de responsabilidade social corporativa e objetivos de sustentabilidade da organização, uma inovação social passa, necessariamente, por implementar uma nova ideia. O conceito, produto ou serviço inovador deve atender a necessidades sociais de forma mais eficaz, eficiente ou sustentável do que as soluções existentes.
Saiba mais sobre inovação social e como colocar em prática na sua cooperativa:
Acesse o InovaCoop, plataforma de inovação do cooperativismo brasileiro e conheça o curso Inovação Social. A capacitação online traz conteúdos sobre o que é a inovação social, quais as estratégias para gerar impacto social positivo e as ferramentas para implementar inovações sociais.
12/03/2024
O coop ligado nas principais tendências tecnológicas para 2024
Temos um novo ano pela frente, com uma série de oportunidades que podem levar mais inovação e resultados de impacto para a sua cooperativa usando a tecnologia. Mas como fazer isso? As inúmeras ferramentas desenvolvidas com o uso da inteligência artificial (AI) ganharam destaque especial em 2023, como o ChatBot e tantas outras. E a perspectiva é de que esse campo continue crescendo. A previsão é de que haverá um aumento de 8% dos investimentos mundiais em Tecnologia da Informação (TI) em 2024, chegando a US$ 5,1 trilhões, segundo a empresa Gartner, especializada em pesquisa e consultoria em TI.
Diante desse cenário, é fundamental manter um olhar constante para o futuro, acompanhar as tendências globais e, assim, direcionar esforços e investimentos de maneira assertiva no presente para se alcançar melhores resultados. A sua coop já sabe como vai usar a tecnologia para alavancar o desempenho da equipe e dos negócios nos próximos meses?
Hoje nós vamos falar das principais tendências tecnológicas para 2024, incluindo aquelas que estão diretamente ligadas à IA e ao uso estratégico de dados. Para isso, usamos como base o site de inovação do cooperativismo, o InovaCoop, o relatório anual da Gartner e uma pesquisa feita pela WGSN, consultoria que também trabalha com previsão de cenários. Temos certeza de que essas informações vão gerar insights interessantes para todas as cooperativas.
Tendências de mercado
Para começar, vale relembrar o que seria exatamente uma tendência de mercado. “Segundo Kotler (2000), uma tendência é uma direção ou uma sequência de eventos que tem determinado impulso e direção”. Na prática, as tendências seriam como pistas que indicam como será o futuro e quais comportamentos podem surgir e se manter por um período maior de tempo. Existem inclusive especialistas que trabalham fazendo esse exercício de futurismo.
Soluções inovadoras e tecnológicas
A partir desses estudos sobre tendências, podemos desenhar cenários, trabalhar com projeções e buscar soluções inovadoras para potencializar os negócios, agregando valor e marcando presença no mercado. Com todos os recursos tecnológicos disponíveis, é importante estar por dentro das principais tendências para escolher assertivamente quais tecnologias utilizar, usá-las de forma correta e fazer isso seguindo os objetivos e metas de cada cooperativa. A ideia é se preparar para sair na frente e ganhar em competitividade. Os benefícios são muitos, para as equipes e para as organizações.
O que você ganha ao conhecer e utilizar corretamente novas tecnologias?
(Fonte – Principais tendências tecnológicas estratégicas para 2024 – Gartner)
A certeza e a confiança de poder usar IA com segurança;
• Atividades sustentáveis dentro do ecossistema em que você opera;
• Tecnologias dedicadas para tarefas, setores e funções específicos;
• Mais velocidade e produtividade com um mínimo de esforço ou investimento extra; • Mais valor para partes interessadas internas e externas.
Conheça as principais tendências tecnológicas para 2024:
IA Assistente
Existe um receio de que a tecnologia acabe substituindo os humanos. No entanto, muitos especialistas indicam que o caminho está em agregar os benefícios oferecidos pela evolução tecnológica, como a facilidade e a otimização do tempo, às características e habilidades particulares do ser humano. A tendência para 2024 é de que este seja um ano para se consolidar a colaboração entre máquinas e humanos.
É isso mesmo: tudo indica que vamos utilizar cada vez mais a inteligência artificial generativa (GenAI – sigla em inglês) para colocar ideias em prática com mais facilidade. Muitos profissionais já têm feito uso desse tipo de tecnologia e se mostrado mais produtivos. É o caso dos designers, segundo indica estudo do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts – tradução), que conseguem dedicar mais tempo ao processo criativo, utilizando recursos de IA de baixo código/sem código para a parte de programação.
O que é inteligência artificial generativa
“É um tipo de IA que pode criar novos conteúdos e ideias, incluindo conversas, histórias, imagens e músicas. Você pode treiná-la para aprender linguagem humana, linguagens de programação, arte, química, biologia ou qualquer assunto complexo. Ela reutiliza dados de treinamento para resolver novos problemas. Sua organização pode usar a IA generativa para várias finalidades, como chatbots, criação de mídia e desenvolvimento e design de produtos”. (Fonte: Amazon)
IA estratégica
Fica claro, portanto, que as novas tecnologias podem e devem ser usadas de forma estratégica nos negócios, para o aumento da produtividade e o crescimento dos resultados. Segundo pesquisa realizada pela Gartner com lideranças do mundo dos negócios em 2023, a inteligência artificial foi citada como a tecnologia que terá maior impacto em vários setores nos próximos três anos. A IA pode auxiliar na realização de atividades mais complexas, assim como em ações mais repetitivas. Segundo a consultoria Gartner, a estimativa é de que, até 2028, 75% dos engenheiros de software empresarial utilizarão assistentes de codificação de inteligência artificial. Um processo que pode ser amplificado com a utilização de outras ferramentas de IA auxiliando também na fase de projeto, e posteriormente, nos testes de aplicações, abrindo espaço para atividades estratégicas, como o design e a composição de aplicações de negócios atraentes. Assim como os profissionais de TI, outros setores estratégicos já utilizam de recursos de inteligência artificial para o desenvolvimento de produtos, como as áreas de planejamento, mercado, inovação, marketing e comunicação.
Dica de ouro
A dica é fomentar esse processo em toda a cooperativa e incentivar suas equipes a conhecerem e usarem a IA a seu favor. Elas podem fazer isso contando com o apoio e a orientação dos times de Tecnologia da Informação e de outras áreas, como Inovação, Gestão de Pessoas e Marketing, que podem auxiliar em campanhas de divulgação e sensibilização.
Democratização
A perspectiva é de que as organizações utilizem de forma crescente a inteligência artificial generativa também para ampliar o acesso a fontes de informação, democratizando, consequentemente, o conhecimento e o desenvolvimento de competências dentro do ambiente institucional. Até 2026, mais de 80% das organizações do mundo todo já estarão fazendo uso desse tipo de ferramenta.
*Wearbles na área de saúde
A tecnologia está presente na nossa vida de diversas formas, e cada vez mais. Sabia que além de usar, nós podemos vestir a tecnologia? Pode parecer estranho, mas é a mais pura verdade. Você certamente tem ou já viu um relógio inteligente, pulseiras conectadas ou mesmo fones de ouvido com bluetooth. >> O termo wearbles significa vestuário, então nós estamos falando da tecnologia vestível ou de dispositivos vestíveis.Além de facilitar a realização de atividades diárias, esses aparelhos também podem ser usados para cuidados com a saúde. Eles coletam, monitoram, mensuram e armazenam muitos dos nossos sinais físicos. É possível, portanto, olhar de forma personalizada para cada indivíduo, analisando suas características e seu comportamento na rotina e durante a prática de exercícios. Ao mesmo tempo, cria-se automaticamente um grande banco de dados capaz de desenhar um panorama detalhado sobre a saúde das pessoas. E a previsão é de que esse leque de produtos aumente ainda mais nos próximos meses, com a chegada de itens como anéis e broches.
Tokenização financeira
No mercado financeiro, já se utiliza e muito da digitalização para atendimento online e acesso a uma série de serviços e produtos. O PIX, serviço de pagamento instantâneo brasileiro, é um exemplo. Tudo é feito pela internet, usando um aplicativo instalado no celular ou mesmo um desktop. Neste cenário, já se visualiza uma nova etapa para 2024, um processo de tokenização das transações financeiras.
Você sabe o que é tokenização?
É quando se converte os direitos de um ativo em um token digital. Cria-se uma representação digital e segura, ou seja, criptografada de um bem real, que pode ser tangível, como carros ou imóveis, ou intangível, como dívidas ou precatórios. Um processo que traz liquidez e transparência, possibilitando, inclusive, o fracionamento desses ativos. Um token digital pode ser movido, registrado ou armazenado em um sistema de blockchain.
No Brasil
É como o Drex, o real digital. Desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, ele representa a tokenização da moeda brasileira em uma rede blockchain. E o amadurecimento desse processo faz parte das tendências previstas para 2024. Vale ressaltar que existe um grupo de cooperativas de crédito que está diretamente envolvido nos testes do Drex e vai, certamente, acompanhar de perto esse desdobramento. Assim como o Brasil, outros países estão produzindo suas moedas digitais.
Mais sobre o Drex
Totalmente digital, ele vai permitir a incorporação de novas tecnologias e novos modelos de negócios, aumentando a automação e reduzindo restrições dos serviços financeiros. Um dos objetivos do Banco Central com o Drex é promover a inclusão financeira de pessoas que ainda não têm acesso a soluções bancárias. O sistema, na prática, é similar ao utilizado em transações de criptomoedas, mas com controle do órgão regulador.
Consumo com base em algoritmos
Já ficou mais que comprovado que os nossos hábitos de consumo na internet são traduzidos em dados que indicam as nossas preferências. Isso acontece nas redes sociais, por exemplo. A partir desses registros, os algoritmos nos enviam com frequência conteúdos correlacionados às nossas principais pesquisas e interações. O que vale também para o nosso comportamento na hora de fazer compras. Em alguns casos, recebemos positivamente as indicações feitas via algoritmos e automações. Em outros, nem tanto. Na verdade, esse processo acaba trazendo mais benefícios para quem quer vender mais a partir da análise de dados. Mas, para 2024, o consumo com base em algoritmos, além de se intensificar, deve ganhar novas características. A tendência é que o usuário participe de forma mais direta de todo o processo, tendo mais controle sobre as ferramentas, segundo a consultoria WGSN. Com isso, o processo de compra tende a ser mais assertivo e automatizado.
Clientes-máquina
E tem mais, há também a perspectiva de um novo agente nesse cenário, os chamados clientes-máquina, também conhecidos como custobots, segundo estudo da consultoria Gartner. Você deve estar se perguntando: mas o que são clientes-máquina? São atores econômicos não humanos com capacidade para fazer negociações e compras de bens e serviços em troca de pagamento. A previsão é de que, até 2028, 15 bilhões de produtos conectados existirão com o potencial de se comportarem como consumidores. E a tendência é de que esse processo de crescimento continue nos próximos anos, podendo ser ainda mais representativo do que a chegada do comércio digital.
Cibersegurança
Cada vez mais, cresce a utilização de sistemas e de dados que auxiliam na tomada de decisões, na inovação e na criação de novos produtos e serviços. Com isso, cresce também a necessidade de se investir fortemente em segurança digital, incluindo nesse processo o desenvolvimento de novas ferramentas para lidar com possíveis ameaças.
Dentro desse contexto, se destaca a importância do gerenciamento contínuo de exposição a ameaças, tendência apontada pela empresa Gartner para os próximos meses. A ideia é que as organizações avaliem a acessibilidade, a exposição e a abertura para verificação de ativos digitais, e também físicos, de forma crescente e consistente. E aquelas que investirem nesse tipo de segurança, irão perceber uma redução de dois terços no registro de violações até 2026.
IA – Gestão de Confiança, Risco e Segurança
A democratização do acesso à inteligência artificial faz ainda mais urgente a necessidade da Gestão de Confiança, Risco e Segurança da IA. Não contar com barreiras de proteção é abrir portas para efeitos negativos desse tipo de tecnologia. Esse modelo de segurança destacado no estudo da Gartner oferece ferramentas de proteção proativa de dados, segurança específica de IA, entre outros benefícios. A consultoria prevê que, até 2026, as empresas que fizerem uso desses recursos tomarão decisões ainda mais precisas, eliminando até 80% de informações defeituosas ou ilegítimas.
Privacidade em primeiro lugar
O compartilhamento de dados é um item sensível e que tem chamado a atenção no mundo dos negócios e na sociedade. O que se observa é um número crescente de pessoas receosas em compartilhar informações pessoais. Em função disso, fica evidente a importância de se direcionar investimentos e força de trabalho para proporcionar aos clientes e diferentes usuários privacidade e segurança.
Mais forte em 2024
A tendência é de que esse tema ganhe cada vez mais evidência em 2024 e nos próximos anos. No Brasil, por exemplo, ainda não há uma regulamentação específica para utilização de tecnologias como a inteligência artificial, para se discutir limites éticos e jurídicos. O tema está em discussão no Congresso Nacional, a partir do Projeto de Lei 2338/2023, que discute elementos para o uso da tecnologia.
Nacionalmente, temos a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que traz uma série de normas e diretrizes para orientar instituições públicas e privadas nesse processo de adaptação. Ela foi instituída em 2018 e passou a valer efetivamente em setembro de 2020. É preciso olhar com atenção para esse tema, para que se construa um relacionamento de confiança e duradouro entre empresas e públicos estratégicos. E as cooperativas totalmente estão inseridas nesse cenário.
Em outros países
Este ano, a União Europeia passará a contar com um acordo provisório de regras para o uso da tecnologia. O lançamento ocorreu no final de 2023, e o texto final será publicado este ano.
Demanda por metrificações
Como mensurar os resultados e avaliar o desempenho na sua cooperativa com uma abundância e diversidade de dados disponíveis para análise? Com o crescimento do uso de tecnologias, esse universo tende a ser cada vez maior. É preciso, portanto, conhecer bem os objetivos e as metas da sua coop para, então, filtrar as informações a serem utilizadas, e estabelecer os indicadores.
A expressão “os dados são o novo petróleo”, do matemático Clive Humby, tem ganhado um destaque crescente no mercado. Mas, para que realmente faça sentido, como diz o próprio estudioso, é preciso ir além, e gerar conhecimento e valor a partir dos dados. A partir de um filtro criterioso, é possível fazer análises detalhadas, acompanhar os resultados, identificar novas oportunidades e trabalhar para vencer as dificuldades. Dessa forma, é possível desenhar estratégias para impulsionar os negócios e gerar melhores resultados. E os recursos oferecidos pela inteligência artificial podem te ajudar nesse processo. Existe, inclusive, uma tendência de maior utilização de métricas preditivas de atenção, que podem auxiliar no desenho de novas estratégias, ações e produtos. As equipes de marketing, por exemplo, devem fazer uso desse recurso para trabalhar na criação de anúncios e mensurar atenção em escala. É o que diz um relatório elaborado pela Kantar, empresa especializada em dados, insights e consultoria.
*Hiperconexão
Com tantos pontos diferentes de contato e um aumento significativo de recursos tecnológicos, com destaque para ferramentas de inteligência artificial, a hiperconexão é um caminho sem volta. E a tendência é de crescimento. Nós estaremos cada vez mais conectados a outras pessoas, organizações e empresas.
Diante desse cenário, é fundamental entender como funcionam as relações entre marcas e consumidores em um ambiente digital. Isso, tanto para fortalecer relacionamentos que já existem quanto para criar novos laços. Fica claro, portanto, que a transformação digital deve se expandir ainda mais dentro das cooperativas e envolver todas as áreas do negócio. Mais um campo forte da tecnologia em 2024.
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Qual é a relação entre cooperativas e bioeconomia? A onda verde chegou com força ao setor econômico. A chamada bioeconomia está em alta, mas você saber o que ela propõe, na prática?O que é a intercooperação
A intercooperação abre portas para novos negócios e ajuda a ampliar a participação de mercado e os resultados das cooperativas envolvidas. Assista ao vídeo e veja como a união entre cooperativas pode potencializar os resultados dos negócios cooperativos.
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O trabalho de representação política e institucional do Sistema OCB estabelece um diálogo estratégico e constante com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, para defender os interesses do movimento cooperativista e promover um ambiente favorável ao desenvolvimento de políticas públicas que valorizem o cooperativismo brasileiro.