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O Curso Básico de Cooperativismo será voltado aos novos cooperados, onde será abordado toda a história do cooperativismo.
Vamos fortalecer os princípios e valores do cooperativismo, enfatizando itens como: organização do quadro social, gestão e governança cooperativa.
Participem!
No famoso livro de Lewis Carrol Alice no País das Maravilhas, a protagonista pede ajuda a um gato para decidir qual direção tomar ao encontrar uma encruzilhada. A resposta do felino é categórica: depende do lugar a que se quer chegar, porque “quando não se sabe para onde ir, qualquer caminho serve”.
A lição do gato para Alice também poderia ser aplicada à melhoria da gestão das nossas cooperativas. Quando a gente sabe onde está e aonde precisa chegar, é mais fácil caminhar na direção certa.
Justamente por isso, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) desenvolveu um conjunto de ferramentas capazes de ajudar os gestores cooperativistas a saberem qual é o estágio de desenvolvimento de seus empreendimentos e quais são os caminhos a serem percorridos rumo à excelência.
Esse portfólio de soluções tem colaborado ativamente para o desenvolvimento organizacional do cooperativismo, atendendo a um dos pilares de atuação do nosso S: o diagnóstico. Atualmente, dispomos de quatro instrumentos de avaliação que abrangem os seguintes eixos estratégicos:
IDENTIDADE
Analisa os documentos e as políticas internas da cooperativa para verificar se eles estão alinhados às legislações que regulam o setor e aos valores e aos princípios do cooperativismo.
GOVERNANÇA
Autoavaliação realizada pela própria cooperativa a partir de um questionário que identifica o grau de maturidade da governança cooperativa da instituição, com o foco na autogestão, no direcionamento estratégico dos negócios e no atendimento aos interesses dos cooperados.
GESTÃO
Autoavaliação realizada a partir de questionários focados no aperfeiçoamento dos processos organizacionais e na gestão de recursos humanos e financeiros.
DESEMPENHO
Avaliação dos resultados econômicos, financeiros, sociais e ambientais. A recomendação metodológica é que a cooperativa realize o monitoramento de seus resultados financeiros e estratégicos mensalmente. No entanto, em função da estratégia da unidade estadual do Sescoop, podem ser firmadas parcerias com as centrais ou federações para a realização de forma sistêmica com as suas singularidades – especialmente para os ramos crédito e saúde.
Com base nos resultados desses diagnósticos — munidos de estudos setoriais sobre as tendências de mercado e as perspectivas regionais de cada ramo —, a equipe técnica do Sescoop consegue sugerir melhorias para as cooperativas avaliadas. Com isso, contribui efetivamente para o avanço dos resultados e da sustentabilidade, não só da organização avaliada, mas de todo o cooperativismo brasileiro.
“As organizações cooperativas muitas vezes não têm um panorama dos seus principais e prioritários desafios. Os diagnósticos disponibilizados pelo Sescoop servem como uma bússola, apontam oportunidades de melhoria e norteiam possíveis soluções. São insumos importantes para o processo de tomada de decisões e para o direcionamento estratégico dos negócios”, destaca a gerente de Desenvolvimento da Gestão de Cooperativas do Sescoop, Susan Miyashita Vilela.
SOLUÇÕES COM RESULTADOS
Com ciclos periódicos de avaliação ou autoavaliação, os diagnósticos do Sescoop permitem o aperfeiçoamento contínuo dos resultados e o acompanhamento da evolução de cada cooperativa. Além disso, orientam o Sescoop na oferta de soluções de gestão, de acordo com as necessidades das organizações.
“Há muita demanda por cursos de formação que tragam informações capazes de ajudar a cooperativa a fazer um reposicionamento de mercado, com temas como planejamento estratégico, modelo de negócio e cadeia de valor”, lista a gerente de Desenvolvimento da Gestão de Cooperativas do Sescoop. De fato, ao final de cada avaliação, são identificados processos de melhoria que poderiam ser implementados na cooperativa. Algumas ações com o apoio de assessoria especializada, outras soluções com o suporte técnico do Sescoop. E vale destacar: quanto mais abrangentes as informações e os dados obtidos, mais profundas são as análises realizadas e mais consistente é o conhecimento gerado acerca da realidade da cooperativa. “Essa compreensão fidedigna da realidade da organização oportuniza o desenvolvimento de estratégias capazes de realmente melhorar a gestão e, consequentemente, os resultados das cooperativas”, completa Susan.
Quer mais? A consolidação dos indicadores obtidos a partir do diagnóstico das cooperativas brasileiras ajuda o Sescoop a desenvolver estudos setoriais de diversos agrupamentos de cooperativas (por região, unidade federativa, ramos de atuação, entre outras). Essas análises subsidiam o Sistema OCB no desenvolvimento de estratégias de atuação.
GESTÃO SISTÊMICA
Além de servir como ferramenta de diagnóstico para cooperativas singulares, as soluções de desenvolvimento organizacional do Sescoop também podem ser utilizadas pelas chamadas cooperativas de segundo grau, como as centrais e federações.
De que maneira? Como uma ferramenta de gestão sistêmica, uma vez que possibilitam a integração dos resultados de suas singulares e a análise como um sistema unificado. É assim que funciona no Central Ailos de Blumenau (SC), que reúne 13 cooperativas de crédito e atua em 59 municípios dos três estados do Sul do Brasil, com mais de 660 mil cooperados.
“Os diagnósticos do Sescoop nos ajudam a avaliar amplamente a gestão e a governança das nossas cooperativas, algo fundamental para a sustentabilidade do Sistema Ailos. Assim que esses instrumentos foram lançados, enxergamos seu grande potencial; tanto na aplicação da ferramenta de autoavaliação quanto na elaboração dos planos de ação necessários para a implementação de melhorias contínuas na gestão e na governança”, explica a gerente de governança cooperativa e organização do quadro social da Central, Elaine Rodrigues.
De acordo com a gestora, sem a adoção de boas práticas de gestão e de governança, não é possível atingir resultados de longo prazo, fundamentais para a perenidade da organização. “Boas práticas garantem bons resultados e dão aos cooperados a garantia de boa qualidade nas ações e decisões, e resultados sustentáveis”, garante.
CADA VEZ MELHOR
As cooperativas que optaram por fazer uma reflexão sobre seus processos internos com a ajuda das quatro ferramentas de diagnóstico do Sescoop tiveram uma melhora significativa na qualidade de gestão. O grupo que aderiu ao processo em 2013 — e continuou a realizar sua autoavaliação anualmente — performou, em média, 49% a mais, quando comparadas ao início das análises.
NÚMEROS DE 2018
Mais de 2 milhões de pessoas beneficiadas pelas ações de responsabilidade socioambiental do Dia de Cooperar (Dia C)
Cerca de 500 mil pessoas foram capacitadas pelo Sescoop em todo o Brasil
Cerca de 2 mil empreendimentos apoiados para o aprimoramento da governança e da gestão por meio do PDGC
(Fonte Revista Saber Cooperar)
O Plenário da Câmara aprovou, nesta terça-feira, o Projeto de Lei (PL) 312/2015, que cria a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA), com o objetivo de recompensar financeiramente produtores, cooperativas, indústrias e demais atores do setor produtivo e da sociedade civil que desenvolverem iniciativas de preservação ou recuperação ambiental em suas propriedades.
De acordo com o substitutivo do deputado Arnaldo Jardim (SP), integrante da Diretoria da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) e relator do PL 312/2015 no plenário, o Poder Executivo poderá estabelecer no âmbito da política: incentivos tributários destinados a promover mudanças nos padrões de produção e de gestão dos recursos naturais, bem como créditos com juros diferenciados para a produção de mudas de espécies nativas, recuperação de áreas degradadas e restauração de ecossistemas em áreas prioritárias para a conservação.
Para o deputado Evair de melo (ES), presidente da Frencoop e relator da matéria na Comissão de Agricultura, o projeto traz uma contribuição muito grande para o Brasil, no caminho da produção com sustentabilidade. “Mais uma vez, nós vamos ao encontro da busca de equilíbrio entre preservar e produzir, de forma a recompensar aqueles que têm boas práticas de manejo e que exercem suas atividades com responsabilidade ambiental”.
Após a aprovação no plenário da Câmara, o projeto segue agora para o Senado Federal.
Das 500 vagas disponibilizadas 260 já foram preenchidas neste primeiro dia.
As inscrições prosseguem nesta terça-feira, 03, das 9h às 12h e das 14h às 17h.
Local: Sistema OCB-AP (Rua Tiradentes n°102 - Centro, entre as Avenidas Raimundo Álvares da Costa e Procópio Rola - Na frente do CREAP)
📌 Obs: Apresentar RG e levar 1 brinquedo (a partir de 20 reais)
🏃🏼♀ Kit
O kit será composto de camisa, medalha e kit de frutas pós prova.
A Bio+Açaí com apoio da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Sistema OCB-AP, participam da EXPOINTER 2019 no Rio Grande do Sul, no pavilhão da agricultura familiar com subprodutos do Açaí.
A BIO+AÇAÍ integra os consórcios do Projeto Centro de Vocação Tecnológico-CVT que atua na cadeia produtiva do Açaí, Pescado e Castanha-do-brasil que visa verticalizar a produção dessas cadeias produtivas no Amapá.
Em virtude do trabalho que vem desenvolvendo recebeu o Selo Nacional da Agricultura Familiar, das mãos da Ministra de Agricultura Familiar Tereza Cristina, e do secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo, Fernando Schwanke.
O Selo da Agricultura Familiar identifica a origem e as características dos produtos oriundos da agricultura familiar no Brasil e tem como finalidade promover o fortalecimento da identidade social do segmento perante os consumidores e a população.
Um momento de muito orgulho para Edilson Rocha, presidente da Bio+Açaí e Conselheiro da OCB-AP.
"Recebemos o reconhecimento e a certificação das mãos da Ministra, que nos honra apresentar o Amapá nesta grande vitrine da produção rural brasileira que é a EXPOINTER. Isso fortalece ainda mais nosso trabalho e a vontade de fazer mais e melhor".
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A parceria é da Cooperação Alemã e o Governo Brasileiro, e o programa acontece no âmbito do Projeto Mercados Verdes e Consumo Sustentável, desenvolvido pela Agência de Cooperação Alemã (GIZ) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.
Os objetivos do Programa de Capacitação é Contribuir com o aperfeiçoamento dos serviços de assistência técnica e extensão rural na Amazônia - públicos e privados, direcionados às “Competências em gestão e comercialização” das organizações econômicas de produtores, associações, cooperativas e pequenas e médias empresas, na qualificação dos sistemas de gestão e de acesso aos mercados, na região amazônica.
A assistência técnica dirigida à gestão visa aperfeiçoar e fortalecer os empreendimentos coletivos da agricultura familiar, por meio de um sistema de resolução de problemas gerenciais e tecnológicos nas seis áreas de Gestão: (Organização, Processo de produção e comercialização, Financeiro, Pessoal e SocioAmbiental).
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O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (27) o Projeto de Lei 2.107/2019, de autoria do deputado Giovani Cherini (RS), que concede o título de Patrono do Cooperativismo Brasileiro ao padre Theodor Amstad. O texto segue, agora, para sanção da Presidência da República, mas lá, no Rio Grande do Sul, a importância da atuação do religioso suíço em prol da disseminação da cultura cooperativista já foi reconhecida. Em 2003, por meio de uma lei estadual, o governo gaúcho concedeu ao padre o título de Patrono do Cooperativismo em nível estadual.
Para o autor do projeto, deputado Giovani Cherini que integra à diretoria da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) e também é cooperado, a homenagem é mais do que merecida. É necessária. “Estamos valorizando aquilo que o cooperativismo tem de melhor, desde sua origem. Esse reconhecimento é essencial para que as gerações futuras sempre se lembrem daquele que se empenhou tanto em disseminar esse modelo tão inovador de gerar negócios”, avalia.
PRIMEIRA COOPERATIVA
Theodor Amstad nasceu em 9 de novembro de 1851, em Beckenried, na Suíça. No ano de 1885 chegou ao Brasil e se dedicou a prestar assistência econômica, social e cultural aos colonos do Rio Grande do Sul, dando início ao processo de fundação das associações de lavradores e cooperativas no estado.
O padre foi o responsável por constituir, em 1902, a primeira cooperativa de crédito brasileira no município de Nova Petrópolis/RS, batizada como Caixa de Economia e Empréstimos Amstad. A cooperativa continua em atividade, porém agora com o nome de Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Pioneira da Serra Gaúcha, a Sicredi Pioneira/RS.
Uma iniciativa que vai além da promoção da qualidade de vida e bem-estar, a II Corrida do Cooperativismo, promovida pelo Sistema OCB-AP pretende arrecadar centenas de brinquedos que serão doados para crianças em vulnerabilidade social no Dia das Crianças.
A corrida contará com 500 vagas, percurso de 5km, e está marcada para o dia 21 de setembro, às 06h, com largada no Parque do Forte. As inscrições iniciam no dia 02 de setembro, das 9h às 11h30 e das 15h às 17h, na sede do Sistema OCB-AP. Para se inscrever basta levar o documento de identificação e 1 brinquedo (a partir de R$20).
Kit
O kit será composto de camisa personalizada, medalha e frutas pós prova.
Percurso
A largada ocorrerá na frente do Parque do Forte, os atletas percorrerão toda orla de Macapá, até à frente do Ministério Público e retornam.
Os negócios de plataforma – aquele que utilizamos um aplicativo para solicitar um serviço – é uma tendência no mundo. E, em diversas parte do mundo, o cooperativismo continua mostrando sua capacidade de surfar as novas ondas do mercado. E com as plataformas não é diferente. Por isso, o Sistema OCB, que apoia a ideia, fez questão de inserir esse tema na 14ª edição de seu Congresso Brasileiro do Cooperativismo, realizado em Brasília, em maio deste ano. O assunto também é um dos destaques na nova edição da revista Saber Cooperar
. Confira: Plataforma para o desenvolvimento Existe um movimento mundial de conscientização do enorme potencial que o cooperativismo tem para alavancar a economia digital e colaborativa. Há quem defenda que diversos unicórnios do mercado de startups (jovens empresas de base tecnológica avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) deveriam ser cooperativistas. O motorista desliza as mãos pelo volante. A atenção dos olhos que miram as ruas de Brasília é voltada para a tela do celular, posicionado na saída de ar. A notificação avisa: alguém solicita os serviços do rapaz, e o carro de lataria vermelha e reluzente transforma-se em instrumento de trabalho. Ezequiel Avelino, 24 anos, estudante de Gestão Pública, é motorista de aplicativo de transporte de passageiros. Em janeiro deste ano, migrou da estatística do desemprego que, no primeiro mês de 2019, abarcava 12,7 milhões de brasileiros, segundo o IBGE, para ser um dos mais de 37 milhões de trabalhadores informais do país. Como milhares de cidadãos, a ocupação foi a forma encontrada por Ezequiel para se sustentar, custear a mensalidade da faculdade e pagar a parcela do automóvel. O último trabalho de carteira assinada foi em uma floricultura, em 2017. Após um ano fazendo bicos no mercado de eventos, ele decidiu apostar no aplicativo. Desde então, acorda cedo, limpa o automóvel – em casa, para economizar com gastos em lava a jato –, abastece até a boca do tanque de combustível e parte para o expediente. Antes de completar a primeira semana, dirigindo de seis a oito horas por dia, tinha transportado cerca de 200 passageiros e os rendimentos ficaram em torno de R$ 1 mil – valor bem próximo do que ele demorava um mês para embolsar em um ofício formal. “Dirigindo para os aplicativos, posso alternar os meus horários. Se eu não conseguir trabalhar de manhã, vou à noite. Se eu não lucrar bem na semana, posso ir no sábado e no domingo”, explica. Só existe um problema: Ezequiel está dividindo o resultado de seu trabalho com os donos dos aplicativos que utiliza, perpetuando um modelo de trabalho que explora a mão de obra do trabalhador em busca do maior lucro possível, sem lhe dar nenhuma garantia ou segurança jurídica. Ao perceber essa realidade, pesquisadores dos Estados Unidos e da Europa começaram a se perguntar: não seria mais justo que os motoristas fossem os verdadeiros donos do negócio, já que possuem o carro e fornecem a mão de obra? E se os princípios cooperativistas, consolidados na busca por relações mais dignas, justas e solidárias, fossem aliados à veia democrática da internet, nascida da noção pública de propriedade coletiva? E se, no contexto de economia compartilhada, pudéssemos desenvolver alternativas de negócios conduzidas por ideais comunitários? E foi para responder a essas perguntas que surgiu um novo conceito: o cooperativismo de plataforma – proposta de empreendimento que combina os princípios e os valores do cooperativismo com o imenso potencial disruptivo das novas tecnologias da informação. O COMEÇO DE TUDO
O conceito “cooperativismo de plataforma” foi utilizado pela primeira vez por Trebor Scholz, professor de cultura e mídia associado à The New School autor do livro Cooperativismo de Plataforma. Ele esteve no Brasil em maio especialmente para o 14º CBC. Em palestra que lotou um dos auditórios do evento, ele afirmou: o cooperativismo é o modelo de negócios capaz de tornar mais justas as novas relações de trabalho impostas pelo “ubercapitalismo” – nova onda capitalista caracterizada pela supressão do Estado como mediador entre o capital e o trabalho, um modelo que transforma todos em trabalhadores individuais, apartados entre si, cada qual lutando por sua sobrevivência.
Scholz alerta que por trás de todo o conceito “descolado” e engajado da economia compartilhada – que vende aos cidadãos a ideia de que é possível ganhar mais, tendo liberdade de escolher quando e por quanto tempo se quer trabalhar, com a vantagem de não estar subordinado a um chefe direto – estão a crise econômica, o desemprego e a necessidade de complementação de renda. Uma realidade bem conhecida dos brasileiros nos últimos anos.
Ainda segundo o autor, essa nova forma de trabalho ofertada por alguns aplicativos de serviço pode ser, na verdade, uma armadilha para a precarização dos direitos do trabalho. “Eu estudo as mudanças trazidas pela internet no mercado de trabalho desde 2008 e fui percebendo que as relações estabelecidas entre algumas plataformas de serviço e as pessoas são uma nova forma de exploração da mão de obra do trabalhador ainda mais perversa que a anterior, pois tira todos os direitos e benefícios, maximizando ao extremo o enriquecimento dos donos dessas plataformas”, critica.
De fato, de acordo com o IBGE, o rendimento de um trabalhador informal é, em média, 40% menor do que de quem atua com carteira assinada. Também é importante lembrar a falta de garantias para os funcionários nessas plataformas de compartilhamento. O que mais preocupa Ezequiel Avelino, motorista de aplicativos, é a segurança. Em uma situação de sequestro ou roubo, enquanto estiver dirigindo, o prejuízo é 100% do dono do automóvel. Por isso, ele pondera ao aceitar corridas em determinados horários e lugares, o que pode colocar em risco sua pontuação nos apps. Em poucos cliques – medido em estrelinhas que variam de uma a cinco – está na mão do consumidor o poder de classificar um motorista da plataforma. Quem ficar abaixo de uma média de corte, que controla a qualidade dos funcionários, pode ter o cadastro suspenso ou cancelado.
POR UMA RELAÇÃO MAIS JUSTA
Outro papa do cooperativismo de plataforma é o professor de estudos de mídia da Universidade do Colorado, Nathan Schneider, coautor do livro Nosso para hackear e possuir: a ascensão do cooperativismo de plataforma, uma nova visão para o futuro do trabalho e uma internet mais justa. Em entrevista exclusiva à Saber Cooperar, ele definiu o cooperativismo de plataforma como “uma comunidade transnacional de usuários-trabalhadores. Uma nova geração de pessoas que entram no movimento cooperativo e tentam usá-lo para criar uma economia on-line mais justa, responsável e democrática”.
Scheider defende que a natureza do compartilhamento de informações, software de código aberto, colaboração distribuída e comunicação rápida da internet são propícios não apenas para as práticas cooperativistas, como trata- -se de uma oportunidade de renovar o espírito transformador da economia cooperativa, fundada há quase dois séculos.
Também entusiasta do potencial transformador da internet para o cooperativista, o advogado, professor-doutor e diretor-geral da Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), Mário de Conto, tem pesquisado sobre o conceito no Brasil, com o incentivo do Sistema OCB. Para ele, a modalidade poderia melhorar o desenvolvimento local, sob a forma de trabalho democrático e colaborativo. “Tratam-se de iniciativas em que os trabalhadores são proprietários das plataformas, tomam as decisões de maneira democrática através de mecanismos digitais e a distância, de forma muito diferente da experimentada nas cooperativas tradicionais”, explica o pesquisador.
Na visão de Conto, as “CoopTechs” (cooperativas de base tecnológica) podem não apenas incluir quem está fora da digitalização na troca de serviços, como ajudar a reduzir as desigualdades e a concentração do poder que está nas mãos dos agentes que detêm o capital (o software, hoje em dia). “Nesse contexto, o cooperativismo de plataforma tem como principal impacto no eixo social viabilizar a inserção de trabalhadores em plataformas digitais nas quais eles tenham maior possibilidade de Modelo colaborativo de produção intelectual que promove o livre licenciamento e a redistribuição universal do produto sem a necessidade de se pagar uma licença comercial para isso, definir suas margens de retorno e fazer sua autogestão”, avalia.
Ao redor do mundo, essa ideia pegou. Segundo Trebor Scholz, já existem pelo menos 350 cooperativas de plataforma atuando em 26 países, incluindo o Brasil. Por aqui, existem grupos de trabalhadores se organizando dessa maneira, embora nenhuma esteja formalmente registrada como cooperativa. Um bom exemplo é a Cataki – aplicativo que conecta catadores de resíduos a quem produz lixo, ou seja, todos nós. Ao unir as duas pontas, a plataforma melhora a qualidade de vida dos catadores, tirando-os dos lixões e das ruas, facilita a coleta dos materiais reciclados, aumenta a produtividade desses agentes ambientais e, de quebra, conscientiza as pessoas sobre a importância da reciclagem. Trebor está, inclusive, investindo na ideia, que considera escalável, ou seja, com alto potencial de crescimento não só no Brasil, mas no mundo.
Disposto a fomentar a abertura de cada vez mais cooperativas de plataforma ao redor do mundo, Scholz ajudou a fundar uma organização focada no apoio a essas instituições: o Consórcio para o Cooperativismo de Plataforma (The Platform Cooperativism Consortium). O grupo apoia esse modelo de negócios por meio de pesquisas, capacitações, consultoria legal, mapeamento de melhores práticas, suporte técnico e financiamento. O Google, por exemplo, doou US$ 1 milhão para financiar cooperativas de plataforma ao redor do mundo. “Eu estive na Suécia, na Inglaterra, na Itália, na Espanha, no Canadá, na Indonésia, em Tóquio, na Índia e aqui no Brasil. É impressionante como em todos esses países existe o desejo de criar modelos de trabalho mais cooperativos”, disse o norte-americano.
ESPAÇO NO BRASIL
Sim, mas ainda é pouco explorado. Temos um longo caminho a percorrer, cheio de desafios, até a consolidação de um mercado de economia digital cooperativista. “Quanto mais precária é a relação de trabalho de um país, maior é o interesse pela implantação das cooperativas de plataformas”, analisa Trebor Scholz. Segundo ele, aqui no Brasil existem muitas oportunidades nas áreas da educação, da saúde, dos transportes. “O que percebo, tanto aqui quanto em outros países, é que o principal obstáculo à constituição dessas cooperativas ainda são as pessoas. É difícil reunir um grupo, sentar todos em uma sala e fazê-los fechar um acordo. Elas ainda não sabem abrir mão das suas vontades pessoais em prol de um bem maior. Esse é o principal desafio do cooperativismo de plataforma em todo o mundo”, lamenta.
Já o brasileiro Mário de Conto acredita que faltam instrumentos na legislação brasileira para apoiar o desenvolvimento de iniciativas como essas. “Analisando as características da Lei Geral das Cooperativas, evidentemente, há desafios que concernem à novidade do modelo, como formas de efetivar a participação democrática e o processo de tomada de decisões em um contexto digital”, pondera.
BENCHMARKING INTERNACIONAL
A proposta da incubação é apoiar novos empreendimentos com suporte técnico, jurídico e contábil, muitas vezes oferecendo consultorias e mentorias especializadas na potencialização de um negócio. E foi justamente esse modelo que resultou na criação da Up and Go – cooperativa de plataforma criada para oferecer emprego e renda às mulheres de uma comunidade de imigrantes, em Nova York.
A Up and Go possui, hoje, cerca de 40 cooperadas. Graças à plataforma, pela primeira vez desde que chegaram à América, essas mulheres conseguiram uma remuneração justa por seu trabalho. “Antes de fazerem parte da cooperativa, elas ganhavam muito mal e não tinham garantia de serem pagas pelo serviço que prestavam. Às vezes, limpavam a residência e o dono dizia estar sem dinheiro para pagá-las na hora. Outras vezes, pagavam as passagens para ir até a casa do cliente e, ao chegar, eram avisadas de que ele tinha desistido. Com isso, tinham um prejuízo grande, porque não eram ressarcidas pelo deslocamento”, recorda Sylvia Morse, gerente de projeto do Center for Family Life (CFL) – organização sem fins lucrativos que realiza a incubação de cooperativas de plataforma na cidade norte-americana.
Desde 2006, o CFL capta fundos e oferece suporte técnico e financeiro à criação de cooperativas de plataforma nas áreas de serviços de limpeza e cuidado de crianças pequenas. “Nossa equipe trabalha para ajudar esses trabalhadores a constituírem sua cooperativa, ajudando a definir como devem ser o site, o aplicativo, o atendimento aos clientes, a política de preços e as assembleias de cooperados”, resume Sylvia, que também participou como palestrante do 14º CBC.
No caso da Up and Go, por exemplo, cada cooperada recebe 95% do valor pago pelos clientes. Os outros 5% são revertidos para o fortalecimento da plataforma. “Antes, quando trabalhavam como empregadas de outros sites que oferecem serviços de limpeza, elas recebiam bem menos por hora trabalhada. E isso, apesar de o cliente pagar mais caro que na Up and Go pelo serviço”, constata a gerente do CFL.
Além de ganharem mais como cooperadas e de serem as donas do próprio negócio, as mulheres da Up and Go utilizam os 5% destinados para a plataforma para fortalecerem o próprio negócio e para garantirem alguns benefícios importantes para elas, como cursos de inglês e capacitação profissional. “A cooperativa empodera essas mulheres e muda as vidas delas e a de suas famílias”, comemora Sylvia. Gostou da proposta do cooperativismo de plataforma? Quer saber mais sobre o assunto? Baixe agora o livro de Trebor Scholz sobre o assunto. Conheça todas as diretrizes prioritárias para o cooperativismo relacionadas à inovação. Elas foram definidas por 1.300 cooperativas brasileiras durante o 14º CBC.
De acordo com a norte-americana, as cooperativas têm impactado tão positivamente Nova York que a cidade foi a primeira dos Estados Unidos a criar um fundo exclusivo para o financiamento desse tipo de empreendimento. “As cooperativas de plataforma têm ajudado a incluir públicos que nem sempre encontram boas oportunidades de trabalho no mercado formal, como as mulheres, os negros e os imigrantes. Por isso, elas têm recebido suporte de entidades públicas e privadas para se desenvolverem no meu país”, constata.
Sylvia acredita que essas incubadoras de cooperativas de plataforma poderiam funcionar também no Brasil. “Vocês têm uma organização que cuida especificamente do cooperativismo”, diz, referindo-se ao Sistema OCB. “Esse é um primeiro passo importante, porque já existe um centro de referência para os trabalhadores que desejem montar uma cooperativa no país. O próximo passo é buscar apoio de outras organizações públicas e privadas para criar um ecossistema favorável à criação de cooperativas de plataforma no Brasil”, conclui.
NÚMEROS
- Existem pelo menos 350 cooperativas de plataforma ao redor do mundo.
- 26 países já colocaram a ideia em prática, incluindo o Brasil.
- US$ 1 milhão: valor aportado pelo Google para o financiamento de cooperativas de plataforma ao redor do mundo.
EVENTO INTERNACIONAL
Mais debates sobre o Cooperativismo de Plataforma já têm data marcada: entre os dias 7 e 9 de novembro, será realizado, em Nova York (EUA), o Congresso Internacional de Cooperativas de Plataforma, em parceria com Columbia University e The New School. O evento é promovido pelo Consórcio Internacional do Cooperativismo de Plataforma (https://platform.coop/
), sediado em NY e fundado pelo pioneiro do próprio movimento Cooperativismo de Plataforma, Trebor Scholz. Vale destacar: a OCB participa do comitê internacional de promoção do cooperativismo de plataforma.
. Confira: Plataforma para o desenvolvimento Existe um movimento mundial de conscientização do enorme potencial que o cooperativismo tem para alavancar a economia digital e colaborativa. Há quem defenda que diversos unicórnios do mercado de startups (jovens empresas de base tecnológica avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) deveriam ser cooperativistas. O motorista desliza as mãos pelo volante. A atenção dos olhos que miram as ruas de Brasília é voltada para a tela do celular, posicionado na saída de ar. A notificação avisa: alguém solicita os serviços do rapaz, e o carro de lataria vermelha e reluzente transforma-se em instrumento de trabalho. Ezequiel Avelino, 24 anos, estudante de Gestão Pública, é motorista de aplicativo de transporte de passageiros. Em janeiro deste ano, migrou da estatística do desemprego que, no primeiro mês de 2019, abarcava 12,7 milhões de brasileiros, segundo o IBGE, para ser um dos mais de 37 milhões de trabalhadores informais do país. Como milhares de cidadãos, a ocupação foi a forma encontrada por Ezequiel para se sustentar, custear a mensalidade da faculdade e pagar a parcela do automóvel. O último trabalho de carteira assinada foi em uma floricultura, em 2017. Após um ano fazendo bicos no mercado de eventos, ele decidiu apostar no aplicativo. Desde então, acorda cedo, limpa o automóvel – em casa, para economizar com gastos em lava a jato –, abastece até a boca do tanque de combustível e parte para o expediente. Antes de completar a primeira semana, dirigindo de seis a oito horas por dia, tinha transportado cerca de 200 passageiros e os rendimentos ficaram em torno de R$ 1 mil – valor bem próximo do que ele demorava um mês para embolsar em um ofício formal. “Dirigindo para os aplicativos, posso alternar os meus horários. Se eu não conseguir trabalhar de manhã, vou à noite. Se eu não lucrar bem na semana, posso ir no sábado e no domingo”, explica. Só existe um problema: Ezequiel está dividindo o resultado de seu trabalho com os donos dos aplicativos que utiliza, perpetuando um modelo de trabalho que explora a mão de obra do trabalhador em busca do maior lucro possível, sem lhe dar nenhuma garantia ou segurança jurídica. Ao perceber essa realidade, pesquisadores dos Estados Unidos e da Europa começaram a se perguntar: não seria mais justo que os motoristas fossem os verdadeiros donos do negócio, já que possuem o carro e fornecem a mão de obra? E se os princípios cooperativistas, consolidados na busca por relações mais dignas, justas e solidárias, fossem aliados à veia democrática da internet, nascida da noção pública de propriedade coletiva? E se, no contexto de economia compartilhada, pudéssemos desenvolver alternativas de negócios conduzidas por ideais comunitários? E foi para responder a essas perguntas que surgiu um novo conceito: o cooperativismo de plataforma – proposta de empreendimento que combina os princípios e os valores do cooperativismo com o imenso potencial disruptivo das novas tecnologias da informação. O COMEÇO DE TUDO
O conceito “cooperativismo de plataforma” foi utilizado pela primeira vez por Trebor Scholz, professor de cultura e mídia associado à The New School autor do livro Cooperativismo de Plataforma. Ele esteve no Brasil em maio especialmente para o 14º CBC. Em palestra que lotou um dos auditórios do evento, ele afirmou: o cooperativismo é o modelo de negócios capaz de tornar mais justas as novas relações de trabalho impostas pelo “ubercapitalismo” – nova onda capitalista caracterizada pela supressão do Estado como mediador entre o capital e o trabalho, um modelo que transforma todos em trabalhadores individuais, apartados entre si, cada qual lutando por sua sobrevivência.
Scholz alerta que por trás de todo o conceito “descolado” e engajado da economia compartilhada – que vende aos cidadãos a ideia de que é possível ganhar mais, tendo liberdade de escolher quando e por quanto tempo se quer trabalhar, com a vantagem de não estar subordinado a um chefe direto – estão a crise econômica, o desemprego e a necessidade de complementação de renda. Uma realidade bem conhecida dos brasileiros nos últimos anos.
Ainda segundo o autor, essa nova forma de trabalho ofertada por alguns aplicativos de serviço pode ser, na verdade, uma armadilha para a precarização dos direitos do trabalho. “Eu estudo as mudanças trazidas pela internet no mercado de trabalho desde 2008 e fui percebendo que as relações estabelecidas entre algumas plataformas de serviço e as pessoas são uma nova forma de exploração da mão de obra do trabalhador ainda mais perversa que a anterior, pois tira todos os direitos e benefícios, maximizando ao extremo o enriquecimento dos donos dessas plataformas”, critica.
De fato, de acordo com o IBGE, o rendimento de um trabalhador informal é, em média, 40% menor do que de quem atua com carteira assinada. Também é importante lembrar a falta de garantias para os funcionários nessas plataformas de compartilhamento. O que mais preocupa Ezequiel Avelino, motorista de aplicativos, é a segurança. Em uma situação de sequestro ou roubo, enquanto estiver dirigindo, o prejuízo é 100% do dono do automóvel. Por isso, ele pondera ao aceitar corridas em determinados horários e lugares, o que pode colocar em risco sua pontuação nos apps. Em poucos cliques – medido em estrelinhas que variam de uma a cinco – está na mão do consumidor o poder de classificar um motorista da plataforma. Quem ficar abaixo de uma média de corte, que controla a qualidade dos funcionários, pode ter o cadastro suspenso ou cancelado.
POR UMA RELAÇÃO MAIS JUSTA
Outro papa do cooperativismo de plataforma é o professor de estudos de mídia da Universidade do Colorado, Nathan Schneider, coautor do livro Nosso para hackear e possuir: a ascensão do cooperativismo de plataforma, uma nova visão para o futuro do trabalho e uma internet mais justa. Em entrevista exclusiva à Saber Cooperar, ele definiu o cooperativismo de plataforma como “uma comunidade transnacional de usuários-trabalhadores. Uma nova geração de pessoas que entram no movimento cooperativo e tentam usá-lo para criar uma economia on-line mais justa, responsável e democrática”.
Scheider defende que a natureza do compartilhamento de informações, software de código aberto, colaboração distribuída e comunicação rápida da internet são propícios não apenas para as práticas cooperativistas, como trata- -se de uma oportunidade de renovar o espírito transformador da economia cooperativa, fundada há quase dois séculos.
Também entusiasta do potencial transformador da internet para o cooperativista, o advogado, professor-doutor e diretor-geral da Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), Mário de Conto, tem pesquisado sobre o conceito no Brasil, com o incentivo do Sistema OCB. Para ele, a modalidade poderia melhorar o desenvolvimento local, sob a forma de trabalho democrático e colaborativo. “Tratam-se de iniciativas em que os trabalhadores são proprietários das plataformas, tomam as decisões de maneira democrática através de mecanismos digitais e a distância, de forma muito diferente da experimentada nas cooperativas tradicionais”, explica o pesquisador.
Na visão de Conto, as “CoopTechs” (cooperativas de base tecnológica) podem não apenas incluir quem está fora da digitalização na troca de serviços, como ajudar a reduzir as desigualdades e a concentração do poder que está nas mãos dos agentes que detêm o capital (o software, hoje em dia). “Nesse contexto, o cooperativismo de plataforma tem como principal impacto no eixo social viabilizar a inserção de trabalhadores em plataformas digitais nas quais eles tenham maior possibilidade de Modelo colaborativo de produção intelectual que promove o livre licenciamento e a redistribuição universal do produto sem a necessidade de se pagar uma licença comercial para isso, definir suas margens de retorno e fazer sua autogestão”, avalia.
Ao redor do mundo, essa ideia pegou. Segundo Trebor Scholz, já existem pelo menos 350 cooperativas de plataforma atuando em 26 países, incluindo o Brasil. Por aqui, existem grupos de trabalhadores se organizando dessa maneira, embora nenhuma esteja formalmente registrada como cooperativa. Um bom exemplo é a Cataki – aplicativo que conecta catadores de resíduos a quem produz lixo, ou seja, todos nós. Ao unir as duas pontas, a plataforma melhora a qualidade de vida dos catadores, tirando-os dos lixões e das ruas, facilita a coleta dos materiais reciclados, aumenta a produtividade desses agentes ambientais e, de quebra, conscientiza as pessoas sobre a importância da reciclagem. Trebor está, inclusive, investindo na ideia, que considera escalável, ou seja, com alto potencial de crescimento não só no Brasil, mas no mundo.
Disposto a fomentar a abertura de cada vez mais cooperativas de plataforma ao redor do mundo, Scholz ajudou a fundar uma organização focada no apoio a essas instituições: o Consórcio para o Cooperativismo de Plataforma (The Platform Cooperativism Consortium). O grupo apoia esse modelo de negócios por meio de pesquisas, capacitações, consultoria legal, mapeamento de melhores práticas, suporte técnico e financiamento. O Google, por exemplo, doou US$ 1 milhão para financiar cooperativas de plataforma ao redor do mundo. “Eu estive na Suécia, na Inglaterra, na Itália, na Espanha, no Canadá, na Indonésia, em Tóquio, na Índia e aqui no Brasil. É impressionante como em todos esses países existe o desejo de criar modelos de trabalho mais cooperativos”, disse o norte-americano.
ESPAÇO NO BRASIL
Sim, mas ainda é pouco explorado. Temos um longo caminho a percorrer, cheio de desafios, até a consolidação de um mercado de economia digital cooperativista. “Quanto mais precária é a relação de trabalho de um país, maior é o interesse pela implantação das cooperativas de plataformas”, analisa Trebor Scholz. Segundo ele, aqui no Brasil existem muitas oportunidades nas áreas da educação, da saúde, dos transportes. “O que percebo, tanto aqui quanto em outros países, é que o principal obstáculo à constituição dessas cooperativas ainda são as pessoas. É difícil reunir um grupo, sentar todos em uma sala e fazê-los fechar um acordo. Elas ainda não sabem abrir mão das suas vontades pessoais em prol de um bem maior. Esse é o principal desafio do cooperativismo de plataforma em todo o mundo”, lamenta.
Já o brasileiro Mário de Conto acredita que faltam instrumentos na legislação brasileira para apoiar o desenvolvimento de iniciativas como essas. “Analisando as características da Lei Geral das Cooperativas, evidentemente, há desafios que concernem à novidade do modelo, como formas de efetivar a participação democrática e o processo de tomada de decisões em um contexto digital”, pondera.
BENCHMARKING INTERNACIONAL
A proposta da incubação é apoiar novos empreendimentos com suporte técnico, jurídico e contábil, muitas vezes oferecendo consultorias e mentorias especializadas na potencialização de um negócio. E foi justamente esse modelo que resultou na criação da Up and Go – cooperativa de plataforma criada para oferecer emprego e renda às mulheres de uma comunidade de imigrantes, em Nova York.
A Up and Go possui, hoje, cerca de 40 cooperadas. Graças à plataforma, pela primeira vez desde que chegaram à América, essas mulheres conseguiram uma remuneração justa por seu trabalho. “Antes de fazerem parte da cooperativa, elas ganhavam muito mal e não tinham garantia de serem pagas pelo serviço que prestavam. Às vezes, limpavam a residência e o dono dizia estar sem dinheiro para pagá-las na hora. Outras vezes, pagavam as passagens para ir até a casa do cliente e, ao chegar, eram avisadas de que ele tinha desistido. Com isso, tinham um prejuízo grande, porque não eram ressarcidas pelo deslocamento”, recorda Sylvia Morse, gerente de projeto do Center for Family Life (CFL) – organização sem fins lucrativos que realiza a incubação de cooperativas de plataforma na cidade norte-americana.
Desde 2006, o CFL capta fundos e oferece suporte técnico e financeiro à criação de cooperativas de plataforma nas áreas de serviços de limpeza e cuidado de crianças pequenas. “Nossa equipe trabalha para ajudar esses trabalhadores a constituírem sua cooperativa, ajudando a definir como devem ser o site, o aplicativo, o atendimento aos clientes, a política de preços e as assembleias de cooperados”, resume Sylvia, que também participou como palestrante do 14º CBC.
No caso da Up and Go, por exemplo, cada cooperada recebe 95% do valor pago pelos clientes. Os outros 5% são revertidos para o fortalecimento da plataforma. “Antes, quando trabalhavam como empregadas de outros sites que oferecem serviços de limpeza, elas recebiam bem menos por hora trabalhada. E isso, apesar de o cliente pagar mais caro que na Up and Go pelo serviço”, constata a gerente do CFL.
Além de ganharem mais como cooperadas e de serem as donas do próprio negócio, as mulheres da Up and Go utilizam os 5% destinados para a plataforma para fortalecerem o próprio negócio e para garantirem alguns benefícios importantes para elas, como cursos de inglês e capacitação profissional. “A cooperativa empodera essas mulheres e muda as vidas delas e a de suas famílias”, comemora Sylvia. Gostou da proposta do cooperativismo de plataforma? Quer saber mais sobre o assunto? Baixe agora o livro de Trebor Scholz sobre o assunto. Conheça todas as diretrizes prioritárias para o cooperativismo relacionadas à inovação. Elas foram definidas por 1.300 cooperativas brasileiras durante o 14º CBC.
De acordo com a norte-americana, as cooperativas têm impactado tão positivamente Nova York que a cidade foi a primeira dos Estados Unidos a criar um fundo exclusivo para o financiamento desse tipo de empreendimento. “As cooperativas de plataforma têm ajudado a incluir públicos que nem sempre encontram boas oportunidades de trabalho no mercado formal, como as mulheres, os negros e os imigrantes. Por isso, elas têm recebido suporte de entidades públicas e privadas para se desenvolverem no meu país”, constata.
Sylvia acredita que essas incubadoras de cooperativas de plataforma poderiam funcionar também no Brasil. “Vocês têm uma organização que cuida especificamente do cooperativismo”, diz, referindo-se ao Sistema OCB. “Esse é um primeiro passo importante, porque já existe um centro de referência para os trabalhadores que desejem montar uma cooperativa no país. O próximo passo é buscar apoio de outras organizações públicas e privadas para criar um ecossistema favorável à criação de cooperativas de plataforma no Brasil”, conclui.
NÚMEROS
- Existem pelo menos 350 cooperativas de plataforma ao redor do mundo.
- 26 países já colocaram a ideia em prática, incluindo o Brasil.
- US$ 1 milhão: valor aportado pelo Google para o financiamento de cooperativas de plataforma ao redor do mundo.
EVENTO INTERNACIONAL
Mais debates sobre o Cooperativismo de Plataforma já têm data marcada: entre os dias 7 e 9 de novembro, será realizado, em Nova York (EUA), o Congresso Internacional de Cooperativas de Plataforma, em parceria com Columbia University e The New School. O evento é promovido pelo Consórcio Internacional do Cooperativismo de Plataforma (https://platform.coop/), sediado em NY e fundado pelo pioneiro do próprio movimento Cooperativismo de Plataforma, Trebor Scholz. Vale destacar: a OCB participa do comitê internacional de promoção do cooperativismo de plataforma.
Quando o assunto é gerar trabalho, emprego e renda, sempre de forma colaborativa, o cooperativismo é um exemplo e, cada dia mais, chama a atenção de pessoas – sobretudo os jovens – engajadas com a economia compartilhada, consumo consciente e sustentabilidade. É por isso que o Sescoop acaba de abrir as inscrições para o projeto piloto do Somos Líderes, Programa de Desenvolvimento de Liderança.
Voltado a pessoas com idades entre 21 e 35 anos, o programa tem por objetivo preparar o jovem para ser uma liderança do cooperativismo, com uma visão prática da realidade do dia a dia a partir de diversas perspectivas sobre o que é ser líder no contexto no qual vivemos e iremos viver. Toda a metodologia está sendo preparada pelo Sescoop em parceria com a empesa de consultoria HSM. Ao todo, são 35 vagas e a seleção será feita pela Eureca
. APRENDIZADO Os jovens selecionados participarão de um workshop, além de cinco módulos de experiências presenciais imersivas em diversos conteúdos sobre liderança, cooperativismo e desafios da atualidade e do futuro. Ao mesmo tempo, os jovens terão acesso a conteúdo exclusivo em uma plataforma online na qual também poderá se comunicar constantemente com ou outros participantes. MISSÃO Para o presidente do Conselho Nacional do Sescoop, Márcio Lopes de Freitas, os selecionados terão uma missão muito importante. “Esperamos que os jovens formados se tornem vozes atuantes e bem preparadas para estarem à frente não só de suas cooperativas, mas de qualquer outro ambiente seja ele político, institucional ou corporativo e com destacada atuação”, comenta Márcio Freitas. Para ele, dessa forma, os princípios do cooperativismo poderão ser disseminados em todos os lugares, fortalecendo assim o papel desse modelo de negócio em todo o país. “Há mais de 20 anos, o Sescoop acompanha de perto as cooperativas em todas as regiões do país com a missão de promover a cultura cooperativista e o aperfeiçoamento da gestão para o desenvolvimento do setor. A atuação da instituição tem o aperfeiçoamento humano como principal foco, a partir do qual busca contribuir para a autogestão das cooperativas, garantindo maior competitividade e atendimento aos interesses dos cooperados”, conclui a liderança. QUEM PODE PARTICIPAR? Por se tratar de um projeto-piloto, essa primeira edição é direcionada a jovens cooperados, filhos de cooperados ou filhos de empregados de cooperativas, com graduação em qualquer área, desde que o curso tenha sido concluído entre dezembro de 2005 e dezembro de 2019, em todas as regiões do país. Outro aspecto fundamental é que o jovem selecionado tenha disponibilidade para participar de todos os módulos do programa. MARQUE NA AGENDA - Inscrições: 16 de agosto a 6 de setembro; - Entrevistas online: 10 a 18/9 - Divulgação dos aprovados: 20/9 Quer saber mais? Clique aqui
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Terminou com grande expectativa de novos empreendimentos no Amapá a primeira missão da Sicredi Sul MT – maior cooperativa de crédito do Brasil – no Estado.
Nesta terça-feira (13), segundo dia de uma extensa agenda de compromissos com a iniciava privada e poder público, a comitiva Sicredi Sul MT se reuniu com agentes do setor econômico do Governo do Estado, da Assembleia Legislativa, dirigentes da Federação do Comércio do Amapá (Fecomércio-AP), e com representantes da Associação de Criadores do Amapá, entidade ligada ao setor produtivo. O encontro ocorreu à tarde na sede anexo da Fecomércio-AP.
Mais uma vez o presidente da Sicredi Sul MT, Marco Túlio, fez uma explanação sobre a entidade e os empreendimentos de crédito que a cooperativa desenvolve e que pode vir a implementar no Amapá. Ele destacou que o principal objetivo é contribuir com o desenvolvimento econômico adequando os produtos de crédito a cada realidade como o comércio do açaí, da castanha-do-brasil e do pescado.
Mas, conforme Marco Túlio explicou, para isso é necessário entender a dinâmica econômica amapaense, por isso a cooperativa montou uma extensa agenda com representantes do setor público e privado.
“Se entendermos o funcionamento de cada segmento econômico, poderemos saber das necessidades de investimentos, e, assim, desenhar uma operação de crédito para ajudar a alavancar atividades econômicas”, explicou Marco Túlio.
O anfitrião do encontro, presidente Eliezir Viterbino, fez uma explanação sobre a estrutura da Fecomércio-AP e anunciou que a federação está pronta para firmar uma parceria com a Sicredi Sul MT. Ele chegou a cogitar uma possível instalação de uma base da cooperativa na própria sede da Fecomércio-AP em Macapá, que tem previsão de inauguração para março de 2020.
“Analisamos como uma excelente alternativa a proposta de inserir créditos no mercado para os empreendedores amapaense, isso impulsionaria o setor do comércio”, avaliou Viterbino.
Braço financeiro
Técnicos da Agência Amapá de Desenvolvimento Econômico fizeram uma exposição de todo o potencial econômico para investimento no Estado, de todos os segmentos produtivos. Eles explanaram sobre as principais oportunidades de negócios que tem o apoio do governo estadual, desde a madeira até a mineração e os benefícios da Zona Franca Verde.
Presente na reunião, o vice-governador do Amapá, Jaime Nunes, afirmou que a Secredi Sul MT pode ser um dos braços financeiros que os empreendedores rurais e industriais do estado precisam para impulsionar a produção.
“O Amapá é um estado muito aberto a negócios e tem condições propícias para isto, pois tem energia elétrica, tem porto com boa capacidade e localização privilegiada, e tem vocações econômicas produtivas que se assemelham com o surgimento da Sicredi, há 117 anos. Aqui tem mercado para os produtos de crédito da Sicredi e o Estado está aberto a ajudar no que for preciso, com fornecimento de informações, com estabelecimento de parcerias, para que a cooperativa possa ajudar o Estado a se desenvolver”, considerou o vice-governador.
O presidente do Sistema OCB Amapá, Gilcimar Pureza, fez uma avaliação dos resultados da visita da Sicredi ao Amapá.
“Conseguimos montar uma agenda com as principais instituições públicas e privadas, onde os visitantes puderam visualizar nosso potencial e nossos desafios para superar entraves. Pudemos passar um retrato fiel do Amapá sempre confiante que possamos ter mais uma instituição para promover o desenvolvimento do pequeno ao grande", finalizou Gilcimar.
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Nesta terça-feira (13), segundo dia de uma extensa agenda de compromissos com a iniciava privada e poder público, a comitiva Sicredi Sul MT se reuniu com agentes do setor econômico do Governo do Estado, da Assembleia Legislativa, dirigentes da Federação do Comércio do Amapá (Fecomércio-AP), e com representantes da Associação de Criadores do Amapá, entidade ligada ao setor produtivo. O encontro ocorreu à tarde na sede anexo da Fecomércio-AP.
Mais uma vez o presidente da Sicredi Sul MT, Marco Túlio, fez uma explanação sobre a entidade e os empreendimentos de crédito que a cooperativa desenvolve e que pode vir a implementar no Amapá. Ele destacou que o principal objetivo é contribuir com o desenvolvimento econômico adequando os produtos de crédito a cada realidade como o comércio do açaí, da castanha-do-brasil e do pescado.
Mas, conforme Marco Túlio explicou, para isso é necessário entender a dinâmica econômica amapaense, por isso a cooperativa montou uma extensa agenda com representantes do setor público e privado.
“Se entendermos o funcionamento de cada segmento econômico, poderemos saber das necessidades de investimentos, e, assim, desenhar uma operação de crédito para ajudar a alavancar atividades econômicas”, explicou Marco Túlio.
O anfitrião do encontro, presidente Eliezir Viterbino, fez uma explanação sobre a estrutura da Fecomércio-AP e anunciou que a federação está pronta para firmar uma parceria com a Sicredi Sul MT. Ele chegou a cogitar uma possível instalação de uma base da cooperativa na própria sede da Fecomércio-AP em Macapá, que tem previsão de inauguração para março de 2020.
“Analisamos como uma excelente alternativa a proposta de inserir créditos no mercado para os empreendedores amapaense, isso impulsionaria o setor do comércio”, avaliou Viterbino.
Braço financeiro
Técnicos da Agência Amapá de Desenvolvimento Econômico fizeram uma exposição de todo o potencial econômico para investimento no Estado, de todos os segmentos produtivos. Eles explanaram sobre as principais oportunidades de negócios que tem o apoio do governo estadual, desde a madeira até a mineração e os benefícios da Zona Franca Verde.
Presente na reunião, o vice-governador do Amapá, Jaime Nunes, afirmou que a Secredi Sul MT pode ser um dos braços financeiros que os empreendedores rurais e industriais do estado precisam para impulsionar a produção.
“O Amapá é um estado muito aberto a negócios e tem condições propícias para isto, pois tem energia elétrica, tem porto com boa capacidade e localização privilegiada, e tem vocações econômicas produtivas que se assemelham com o surgimento da Sicredi, há 117 anos. Aqui tem mercado para os produtos de crédito da Sicredi e o Estado está aberto a ajudar no que for preciso, com fornecimento de informações, com estabelecimento de parcerias, para que a cooperativa possa ajudar o Estado a se desenvolver”, considerou o vice-governador.
O presidente do Sistema OCB Amapá, Gilcimar Pureza, fez uma avaliação dos resultados da visita da Sicredi ao Amapá.
“Conseguimos montar uma agenda com as principais instituições públicas e privadas, onde os visitantes puderam visualizar nosso potencial e nossos desafios para superar entraves. Pudemos passar um retrato fiel do Amapá sempre confiante que possamos ter mais uma instituição para promover o desenvolvimento do pequeno ao grande", finalizou Gilcimar.
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Com o objetivo de ofertar novas possibilidades de crescimento às cooperativas amapaenses, a Organização das Cooperativas do Estado do Amapá (OCB-AP) sediou nesta terça-feira, 13, em Macapá, uma apresentação da Sicredi Sul MT aos cooperados locais. A organização é a terceira maior instituição financeira em crédito rural do país e veio conhecer as potencialidades econômicas da região.
A comitiva do SICREDI SUL MT, apresentou números e formas de atuação nos municípios onde atua e como pretendem expandir para região norte. Expuseram ainda seus produtos para pessoa física, jurídica e para o agronegócio.
O presidente da Sicredi Sul MT, Marco Túlio, frisou que a visita foi fundamental para conhecer de perto a realidade local e entender a dinâmica econômica e social do Estado, bem como seus negócios. “Aqui, tem um grande potencial para aplicarmos a filosofia da Sicredi que é de ajudar a promover o desenvolvimento através do crescimento das cooperativas”, disse.
O diretor executivo da Sicredi Sul MT, Danilo Vicentim, fez uma apresentação sobre a instituição financeira e explicou como ela pode contribuir com o trabalho das cooperativas.
Durante o encontro, os participantes puderam falar um pouco sobre os seus negócios e também esclarecer suas dúvidas, especialmente sobre linhas de crédito no mercado amapaense.
O vice-presidente da Aprosoja-AP, Romildo Klimeck, falou das dificuldades de expandir a produção de grãos no Estado, especialmente com relação a regularização para a produção de soja na região. “Temos encontrado várias dificuldades, mas acreditamos que o Amapá será o local mais competitivo para produzir soja no Brasil. A produtividade é boa e esperamos ainda mais apoio, como da Sicredi para desenvolver cada vez mais”, afirmou.
Para o presidente do Sistema OCB- AP, Gilcimar Pureza, um dos entraves para o desenvolvimento do Estado é a política fiscal e disse que a presença da Sicredi no Estado vai contribuir com o fortalecimento das cooperativas amapaenses, uma vez que a instituição tem vasta experiência em crédito rural.
Participaram da abertura do encontro, os representantes da bancada federal, deputado Luís Carlos, e o deputado estadual, Jesus Pontes.
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Uma comitiva da Sicredi Sul MT iniciou uma extensa agenda no Amapá para conhecer a dinâmica econômica do Estado e desenhar linhas de crédito que podem ajudar a unidade federativa a se desenvolver.
Composta por presidência, diretoria executiva e conselheiros, a comitiva iniciou os trabalhos nesta segunda-feira (12), com uma visita técnica à Companhia Docas de Santana (CDS) para conhecer o potencial logístico da estrutura.
O presidente da CDS, Glauco Cei fez uma apresentação da companhia. Ele falou das vantagens de se fazer operações de exportação e transbordo pelo Amapá, em detrimento à localização privilegiada do Porto de Santana, com vantagens de distância, tempo de duração e maior capacidade de carga de uma só vez em relação a outros portos do Brasil quando o destino é o mercado europeu.
O diretor executivo da Sicredi Sul MT, Danilo Vicentim também fez uma explanação sobre a entidade e os empreendimentos de crédito que a cooperativa desenvolve e que pode vir a implementar no Amapá.
O presidente da Sicredi Sul MT, Marco Túlio, ressaltou que para contribuir com o desenvolvimento econômico do Estado, é necessário, primeiramente, entender a realidade da dinâmica econômica amapaense. Segundo ele, o objetivo é atender, principalmente, os seguimentos ligados ao setor produtivo, com as principais cadeias, como a do açaí, pescado, castanha, búfalo.
“Queremos entender como está o funcionamento de cada segmento econômico para poder, em cima das necessidades de investimentos desses segmentos, desenhar uma operação de crédito para ajudar a alavancar estas atividades econômicas, sobretudo no setor produtivo”, explicou Marco Túlio.
O prefeito de Santana, Ofirney Sadala, que participou do encontro, disse que o município está aberto a debater incentivos para que a cooperativa de crédito possa ajudar a fortalecer a economia santanense.
"Queremos mais que apenas oferecer nossos serviços, queremos entender a economia amapaense para inserirmos linhas de crédito no mercado amapaense para desenvolver este estado através do fomento aos seus produtores, seus trabalhadores, seu povo”, finalizou o presidente da Sicredi, Marco Túlio.
Consignado e boletos
Uma outra forte possibilidade de negócios da Sicredi Sul MT no Amapá surgiu na agenda do fim da tarde com o prefeito de Macapá, Clécio Luís, no Palácio Laurindo Banha, sede central do Executivo municipal da capital amapaense.
O gestor público acenou positivamente para o início das tratativas sobre a possibilidade de se estabelecer, entre a entidade e a prefeitura, um convênio para disponibilização de crédito consignado aos servidores municipais.
Outra prospecção foi quanto a emissão de boletos para pagamento de tributos, taxas e tarifas municipais aos contribuintes. Neste caso a cobrança seria feita pela Sicredi Sul MT, com emissão de boletos e ganho no serviço de cobrança.
“Estamos de portas abertas para que este empreendimento ajude Macapá, e o Estado do Amapá, a se desenvolver”, assentiu o prefeito Clécio.
O presidente do Sistema OCB Amapá, Gilcimar Pureza, falou dos objetivos do grupo no Estado.
“O Amapá precisa dos grandes empreendimentos e a vinda de uma cooperativa do porte da Sicredi proporcionará o salto que o produtor amapaense precisa para fortalecer e consolidar a economia do Amapá”.
Participaram da agenda, os representantes da bancada federal, deputado Luís Carlos, e da bancada estadual, Jesus Pontes. E o Conselheiro do SESCOOP, Rogério Alcântara.
Agenda
A comitiva cumprirá agenda, ainda, no dia 13 de agosto por meio do Sistema OCB-AP.
Entre os compromissos, haverá uma reunião com as cooperativas locais, produtores de soja e milho, e criadores de animais. A Cooperativa de Crédito também cumprirá agenda com o presidente do Tribunal de Contas do Amapá, Michel Houat.
O SICREDI finalizará a agenda na Federação do Comércio do Amapá (Fecomércio) onde também estarão presentes o SEBRAE e a Agência de Desenvolvimento do Amapá, onde haverá uma exposição da economia local e suas oportunidades de negócios.
Sicredi
O SICREDI foi fundado há 116 anos no Brasil, com mais de 4 milhões de associados, presentes em 22 Estados e 1,6 mil agências. É a terceira maior instituição financeira em crédito rural do país, segundo a Revista EXAME. Possui 56 bilhões em carteira de crédito e parceria internacional com Banco Holandês RABOBANK, e com braço do Banco Mundial, IFC-Internacional Finance Group.
Uma das maiores cooperativas de crédito, poupança e investimentos do Brasil chega ao Amapá para prospectar futuros negócios.
A presidência, diretoria e conselheiros da SICREDI Sul Mato Grosso cumprirão extensa agenda no Estado nos dias 12 e 13 de agosto por meio do Sistema OCB-AP.
Entre os compromissos, haverá uma reunião com as cooperativas locais, produtores de soja e milho, e criadores de animais. A Cooperativa de Crédito também cumprirá agenda com Prefeito de Macapá, Clécio Luís; Prefeito de Santana, Ofirney Sadala; o Presidente das Docas de Santana, Glauco Cei; o Presidente do Tribunal de Contas do Amapá, Michel Houat. Os representantes da Bancada Federal, Deputado Luís Carlos; e da Bancada Estadual, Deputado Jesus Pontes, acompanharão as agendas.
O SICREDI finalizará sua agenda na Federação do Comércio do Amapá (Fecomércio) onde também estarão presentes o SEBRAE e a Agência de Desenvolvimento do Amapá, onde haverá uma exposição da economia local e suas oportunidades de negócios.
SICREDI
O SICREDI foi fundado há 116 anos no Brasil, com mais de 4 milhões de associados, presentes em 22 Estados e 1,6 mil agências. É a terceira maior instituição financeira em crédito rural do país, segundo a Revista EXAME. Possui 56 bilhões em carteira de crédito e parceria internacional com Banco Holandês RABOBANK, e com braço do Banco Mundial, IFC-Internacional Finance Group.
A concessão do título de Patrono do Cooperativismo Brasileiro ao padre Theodor Amstad está cada vez mais perto de ocorrer. Nesta terça-feira, o projeto de lei nº 2107/2019, de autoria do deputado Giovani Cherini (RS), foi aprovado na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado. Agora, o PL entra na pauta de votação do Plenário.
O senador Lasier Martins (RS), integrante da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) e relator do PL, leu o parecer e homenageou o cooperativismo e o Sicredi como primeira cooperativa no RS (link para o parecer aprovado).
O presidente da Comissão, senador Dário Berger (SC) e o vice-presidente da Comissão, senador Flávio Arns (PR), também ressaltaram a importância do cooperativismo para o desenvolvimento de seus estados.
PRIMEIRA COOPERATIVA
Theodor Amstad nasceu em 9 de novembro de 1851, em Beckenried, na Suíça. No ano de 1885 chegou ao Brasil e se dedicou a prestar assistência econômica, social e cultural aos colonos do Rio Grande do Sul, dando início ao processo de fundação das associações de lavradores e cooperativas no estado.
O padre foi o responsável por constituir, em 1902, a primeira cooperativa de crédito brasileira no município de Nova Petrópolis/RS, batizada como Caixa de Economia e Empréstimos Amstad. A cooperativa continua em atividade, porém agora com o nome de Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Pioneira da Serra Gaúcha, a Sicredi Pioneira/RS.
O mundo dos negócios exige uma atualização constante em termos de gestão, governança, processos e, até, habilidades profissionais. É por isso que uma das palavras da moda, nos dias atuais, é disrupção, ou seja, a interrupção do curso ordinário de um processo visando uma inovação.
Contudo, quando o assunto é cooperativismo, as inovações que ocorrem só provam que ele é um modelo econômico diferenciado desde sua essência. É o que afirma Ênio Meinen, autor do livro Cooperativismo Financeiro: virtudes e oportunidades. “O cooperativismo é disruptivo desde o seu nascedouro, e o seu pioneirismo, além de mais abrangente e impactante, ainda não foi secundado.”
Em recente artigo, Meinen que é um profundo conhecedor do cooperativismo de crédito, afirma categórico: “Fala-se agora em foco DO cliente (em vez foco NO cliente). Há bancos mudando até mesmo o conceito mercadológico, para dar a impressão de que o cliente, agente passivo/coadjuvante por definição, terá alguma voz. Ora, no cooperativismo o foco sempre foi DO cooperado (sem negligenciar o caminho inverso), uma vez que ele é o dono do empreendimento.”
Assim, nesse ambiente cada vez mais mutante, é preciso assegurar que as inovações sejam capazes não de só de atender às expectativas de um cliente exigente, mas de preservar algo essencial no cooperativismo: o DNA da cooperação. Confira no artigo!
Sobre paradigmas, inovação e o resgate do precedente cooperativo
“Troque suas folhas, mas não perca suas raízes. Mude suas opiniões, mas não perca seus princípios.” (Victor Hugo)
Está correto o diagnóstico que aponta que o cooperativismo financeiro, por aqui, precisa ampliar a sua presença na sociedade, seja pela expansão do quadro social, seja pela densificação do relacionamento negocial com os cooperados. Para assegurar atratividade, terá de melhorar a sua eficiência operativa, racionalizando, consolidando e interconectando as suas múltiplas estruturas de 1º, 2º e 3º níveis (em busca da economia de escopo e do ganho de escala); dar os últimos retoques em seu portfólio comercial; aprimorar os seus processos operacionais, de apoio, de segurança e de acessibilidade ao negócio; qualificar a sua força de trabalho e conferir autenticidade à sua comunicação – deixando de falar como banco e assumindo a narrativa cooperativa. É isso!
No mais, como solução vanguardista para os cidadãos e empreendedores, o cooperativismo chegou bem antes, precisamente há 175 anos, e mantém-se jovem. Na dicção de Robert Shiller, Prêmio Nobel de Economia em 2013, “o movimento cooperativo constitui uma inovação essencial para uma boa e nova sociedade. É, portanto, uma iniciativa sempre atual para esse propósito, uma vez que, embora reconheça a livre iniciativa, não tem o lucro como objetivo... Cooperativismo é sinônimo de boa sociedade” (pronunciamento durante a Segunda Cúpula Mundial do Cooperativismo. Quebec, Canadá, 7 de outubro de 2014).
Economia colaborativa, compartilhada ou de rede; capitalismo consciente; nova economia; responsabilidade socioambiental; descentralização; desintermediação; protagonismo do usuário; horizontalização; user centric; customer experience; employee experience etc., muito citados como novidades no ambiente corporativo, não são nada originais para o mundo da cooperação.
Disrupção, nesse contexto, é a expressão-síntese do momento, e vem associada à seara tecnológico-digital. O cooperativismo é disruptivo desde o seu nascedouro, e o seu pioneirismo, além de mais abrangente e impactante, ainda não foi secundado. Com efeito – e aqui se desconsideram, em razão de seus reais objetivos, por exemplo, as encenações midiáticas de agentes mercantis proclamando-se educadores financeiros –, não se conhece fora da cooperação um modelo organizacional que combine, em equilíbrio, empreendedorismo econômico (progresso material) e desenvolvimento social (cidadania).
Vale lembrar que o protagonismo cooperativo, ao promover a inclusão (especialmente em comunidades remotas e low tech) e a distribuição de renda, gerando valor compartilhado, é fundamental para mitigar o crescente processo de concentração de riqueza, que, por sinal, se acentua com a “revolução” tecnológica. Em síntese, cooperativismo é a equação da economia social ou, por outra, o expoente da economia solidária.
Mas, se quisermos falar em precedência no campo tecnológico, o cooperativismo financeiro também tem suas contribuições. Chegou antes de todo mundo, por exemplo, no acesso a extratos e consultas de saldos por meio do Facebook e na identificação biométrica para utilizar o mobile banking, além de, neste momento, estar no pelotão de frente dos instituidores da rede blockchain do sistema financeiro nacional (RBSFN).
Tudo o mais para uma boa experiência do usuário/cooperado ou as cooperativas financeiras já dispõem, ou estão em vias de ter, pois a imitação nesse campo é muito simples e usual... A única diferença, tomando como referência a capacidade de investimento, é o fato de as cooperativas fazerem mais com muito menos (a relação é de R$ 1,00 para R$ 10,00 dos gigantes da indústria) e, por vezes, melhor – alguns de seus aplicativos, como os apps bancário e de gestão de cartões, estão entre os mais bem avaliados do mercado. Portanto, pode-se afirmar que até mesmo nesse particular são inovadoras!
Em termos de ineditismo operacional, e apenas para mencionar um exemplo, recentemente se anunciou como novidade – no interesse dos portadores –, por imposição normativa oficial, a conversão das transações internacionais com cartões pelo dólar do dia da compra. No cooperativismo financeiro, que efetivamente se volta para o interesse dos seus usuários (cooperados), essa prática já tem mais de dez anos!
Cashback. Eis, também, uma suposta “revolução” no segmento bancário, proclamada por uma das mais badaladas instituições digitais entre nós. A “invenção” consiste na devolução, em espécie, de parte de tarifas e comissionamentos de transações financeiras, uma vez cumprida uma lista interminável de pré-condições. Ocorre que as cooperativas, a partir da concepção, em Rochdale, têm na sua essência o partilhamento integral e incondicional do resultado, direta ou indiretamente, com aqueles que geram o excedente e na proporção que o fazem, sem contar a prática da justa precificação já na contratação das operações e dos serviços.
Crowdfunding é como foi (re)batizada a iniciativa para a mobilização coletiva de recursos destinados a projetos econômicos e sociais. No cooperativismo, desde 1.844, essa ação – que se confunde com a própria cooperação – leva o nome de ajuda mútua.
Suitability (associado à política do “conheça seu cliente”) e disclosure são virtudes muito invocadas atualmente, dadas algumas práticas desleais no mercado financeiro, seja em relação aos usuários, seja na relação concorrencial. O exemplo último é o que envolve a adquirência bancária (maquininhas de cartões). No cooperativismo, dado que o cliente é o dono do negócio, e a transparência um de seus valores universais, não se cogita impingir soluções que não se adequem às necessidades e às condições do tomador, e muito menos disseminar inverdades.
Ainda nessa linha, fala-se agora em foco DO cliente (em vez foco NO cliente). Há bancos mudando até mesmo o conceito mercadológico, para dar a impressão de que o cliente, agente passivo/coadjuvante por definição, terá alguma voz. Ora, no cooperativismo o foco sempre foi DO cooperado (sem negligenciar o caminho inverso), uma vez que ele é o dono do empreendimento.
Accountability é outro atributo que vem sendo enaltecido como elemento virtuoso na cultura organizacional. No cooperativismo, a ética, a responsabilidade pessoal e a prestação de contas assumem relevância tal a ponto de integrar os direcionadores doutrinários do movimento, compondo o rol de valores da causa.
Stakeholders, já não tão recente, é também vocábulo bastante recitado entre nós quando nos referimos ao público de interesse da/na empresa. O cooperativismo, preocupado com o seu entorno desde sempre, tem uma designação própria para o seu mundo relacional, inclusive versada na língua pátria. Trata-se do interesse pela comunidade, o 7º de seus princípios universais.
Ownership, por fim, também vem permeando, com recorrência, o vocabulário corporativo. Não faz muito, uma conhecida empresa da área bancária, “inovando” em suas práticas de empoderamento, doou algumas ações a funcionários, esperando maior engajamento com vistas a melhorar a experiência relacional com os clientes. Parece que não deu certo... Do lado do cooperativismo financeiro, os funcionários, todos, desde que ingressam nas entidades, são coproprietários – em igualdade de condições com os demais cooperados –, assumindo naturalmente a condição de pertencimento.
Estes são apenas alguns exemplos de expressões, ações e movimentos saudados como inéditos, mas que no mundo cooperativo já vêm conhecidos, e aplicados, de longa data.
Não podemos, é claro, acomodar-nos ou inebriar-nos com o que já conquistamos. Devemos estar receptivos ao novo, especialmente sobre o “como fazer”, assimilando a transformação digital em curso (tsunami high tech), internalizando e aprimorando processos e modelos de negócios que impliquem melhores experiências para os cooperados – mas sob a ótica e a escolha destes (donos experience, que também devem ter a opção high touch!) –, sem o que não evoluiremos e nem caminharemos, pessoalmente e com as nossas instituições, para o futuro. Também temos de reconhecer, e enaltecer, o esforço dos atores cujas receitas, hoje, reeditam as quase bicentenárias práticas cooperativistas para a edificação de um mundo melhor.
Mas se rever a forma é essencial para o nosso negócio, preservar o DNA (da cooperação) – particularmente no que se refere ao compromisso com a prosperidade econômica e o desenvolvimento social nos territórios e de seus públicos – é fundamental, mesmo porque não passível de digitalização, robotização, automatização ou reprodução por qualquer forma. Ou seja, não corre o risco de virar commodity...
Além disso, estamos falando de uma proposta que tem a simpatia de 1 entre cada 6 habitantes do Planeta; que só nos Estados Unidos conquista 4,5 milhões de membros a cada ano apenas no segmento financeiro e que emprega 20% mais trabalhadores que a soma das multinacionais ao redor do mundo. Certamente, o mutualismo cooperativo não é uma ideia ultrapassada, mas a própria, substancial e permanente inovação!
Os que operamos no meio não podemos deslumbrar-nos com os alaridos modistas (hypes, buzzwords...); guiar-nos simplesmente pelas fórmulas e soluções-padrão ditadas em atacado; curvar-nos incondicionalmente diante dos profetas do futuro – não raro, por nós regiamente remunerados para adivinhar o que supostamente vem por aí... –, ou aderir imprevidentemente ao livro-texto e aos best-sellers da hora. Muito menos, aceitar a ideia de que o “novo” (fintechs, bigtechs, beBanks, bancos digitais, Alexas, Bias e outros componentes do universo inorgânico e selfservice) desqualifica as instituições (financeiras) cooperativas ou as levará à morte.
Precisamos – sobretudo, eu diria – (re)aprender e apreender o cooperativismo, propósito em si; simples, inclusivo, justo, acessível (até mesmo na linguagem) e, reitere-se, sempre contemporâneo – basta um olhar para a Agenda BC#, do Banco Central do Brasil ... –, porquanto centrado nas pessoas, ativo resiliente e que jamais deprecia. Além de pouco conhecê-lo, alguns de nós, lamentavelmente, ainda lhe temos preconceito.
É nosso dever, a toda hora e em todo lugar, evidenciar, incentivar e, mais que isso, exercitar as características e os precedentes do nosso modelo societário e operacional, pois essa é a nossa identidade, o que nos torna únicos, verdadeiramente originais. Enfim, não podemos colaborar para o triunfo da concepção mercantil, ou converter-nos em uma mera plataforma digital – mais do mesmo! Como ensina a canção de Nando Reis, se formos como os outros, todos iguais, “nossos rostos singulares haverão de se tornar vulgares em meio à multidão”.
Portanto, voltando ao início, preservemos o conteúdo, falemos mais sobre nós e, para “surfar a onda”, atualizemos a forma. Isso nos manterá à frente!
Ênio Meinen, coautor (com Márcio Port) do livro Cooperativismo financeiro: percurso histórico, perspectivas e desafios, e autor de Cooperativismo Financeiro: virtudes e oportunidades. Ensaios sobre a perenidade do empreendimento cooperativo, livro este também versionado no idioma inglês sob o título Financial cooperativism: virtues and opportunities. Essays on the endurance of cooperative entreprise (todos da editora Confebras, lançados em 2014, 2016 e 2018, respectivamente). Nota: Este texto, do qual sou mero porta-voz, foi construído a muitas mãos, sendo fruto de um verdadeiro protagonismo coletivo. Grato a todos que, direta e indiretamente, cooperaram!
A Assembleia Geral de Constituição da Cooperativa de Trabalho e Serviços Sustentáveis: PROJETOS E CONSTRUÇÕES – COOPERSIS ocorreu na última sexta-feira, 02, no Sistema OCB-AP.
Na pauta a aprovação do estatuto social, eleição e posse da diretoria, além da eleição e posse do Conselho fiscal.
Na diretoria está
Beatriz da Silva, como presidente; Alinne dos Santos como Diretora Técnica; Marcelo Maia como Diretor Financeiro.
Já no Conselho fiscal as vagas foram ocupadas por Jaqueline Sanches,
Reinson Hichard e Maurício Ferreira.
Atividades a serem desenvolvidas pela cooperativa são elaboração de projetos de engenharia e arquitetura no âmbito sustentável; projeto e execução de instalações hidros sanitárias, elétricas, combate a incêndio e pânico, circuito; fiscalização de obras e serviços técnicos, avaliação e perícia de imóveis; treinamento de profissionais para desenvolvimento e execução de obras; serviços de orçamentos e planejamentos de obras; direção de obras e serviços técnicos; reparo e manutenção de obras; e serviços combinados para apoio a edifícios, incluindo condomínios prediais.
A nova Cooperativa estará localizada no bairro Morada das Palmeiras, Zona Norte de Macapá.
Durante os dias 01 e 02 de agosto, a Organização das Cooperativas do Estado do Amapá (OCB-AP) promoveu o curso de Plano de Negócios, em Macapá. Voltado aos gestores de cooperativas e cooperados, a capacitação gratuita abordou a temática fomentando a importância da organização e do planejamento para o bom desenvolvimento de seus negócios.
Os participantes aprenderam como estruturar um plano de negócios, fizeram análise do mercado e entenderam a necessidade de possuir um plano de negócio cooperativista, além de noções do planejamento econômico financeiro.
Os cooperados também aprenderam a construir a visão, missão e valores de suas cooperativas associando valores fundamentais para um negócio como a ética, confiança e qualidade elaborando, ainda, os objetivos estratégicos, metas e indicadores do mercado onde estão inseridos.
O ministrante do curso, Lucas Lordeiro (Sebrae-AP), também frisou que o objetivo do curso é "provocar reflexão com um olhar detalhado dos cooperados que pode minimizar os riscos e aumentar as chances dos negócios prosperarem", explicou.
A gerente da Coop Logística, Yasmin Saboya, aprovou com entusiasmo a iniciativa do Sistema OCB-AP na escolha do tema do curso. Ela disse que a cooperativa ainda não possui um Plano de Negócios, mas que a partir dessa capacitação, ela viu a importância de criar e executar suas ações com planejamento e organização.
"A OCB acertou em cheio na temática. Planejamento é algo que não pode faltar, então com certeza vou pôr em prática tudo que aprendemos aqui. Ter planejamento é fundamental para o sucesso da cooperativa", afirmou Yasmin.
Participando pela primeira vez de um curso ofertado pelo Sistema OCB-AP, o gerente da Cooperativa Fênix, José Aldo Rocha, também ficou satisfeito com o aprendizado adquido nos dois dias de curso. "Pretendemos aplicar cada ponto trabalho no curso dentro da cooperativa. Já estamos investindo em tecnologia digitalizando o nosso sistema e adquirir novos conhecimentos é sempre bom", concluiu.
O Sistema OCB-AP investe e fomenta constantemente na capacitação dos cooperados com cursos gratuitos buscando oferecer conhecimento técnico às cooperativas e contribuir com o seu crescimento no mercado.
Os participantes ganharão certificado de participação e continuarão recebendo suporte e consultoria do Sistema OCB-AP.
Foi um sucesso a 1ª Expofloresta da Cooperativa de Produtores Agroextrativistas do Oeste Amapaense (Coopetral), realizada 25 a 28 de julho, no município de Pedra Branca do Amapari. Agora os organizadores já pensam na segunda edição do evento no ano que vem.
A cooperativa, realizadora da 1ª Expofloresta Coopetral 2019, está no mercado há sete anos. Surgiu a partir da união e organização dos produtores rurais do este do Estado do Amapá. Começou com 22 membros e atualmente está com 120 cooperados.
Foi uma verdadeira vitrine, que ocorreu de 25 a 28 de julho nas dependências do Amapari Country Clube – onde atualmente funciona a sede da entidade. A feira mostrou produtos desde a tapioca ao biscoito de castanha, pimenta do reino, açaí, peixes, óleos vegetais.
De acordo com o presidente da Coopetral, Raimundo Apóstolo Santana, nos últimos anos, os empreendedores do oeste potencializaram a produção, expandindo as áreas plantadas e atividades de extrativismo, incluindo produtos madeireiros e não madeireiros, além de pecuária, pesca e uma variedade de 36 produtos da agricultura familiar, como hortifrúti, mandioca, macaxeira, entre outros.
Por isso, a Coopetral decidiu organizar uma vitrine para mostrar este potencial, atrair investidores e apoiadores para expandir ainda mais a produção.
“A ExpoFloresta deixou o recado enquanto vitrine para mostrar todo o potencial produtor da região, um potencial que já esteve adormecido e nós conseguimos despertar, mas agora precisamos crescer ainda mais. Mostramos que mesmo na crise existe possibilidade de superação, com inovações. Fizemos uma exposição inicial que no ano que vem viremos três vezes maior”, analisou Apóstolo.
No legado do evento, ficou planejado um projeto em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) para capacitação dos produtores de açaí. O objetivo é certificar o açaí dos produtores da Coopetral.
Na programação cultural, a feire teve como atrações principiais show do cantor Wanderley Andrade e o concurso da Rainha do Príncipe da Floresta, que animaram o público.
Além da ExpoFloresta, outra grande conquista da Coopetral é a inserção de cinco produtos, Açaí, Castanha do Brasil, Óleos Vegetais, Cupuaçu e fruticultura orgânica em um catálogo do Ministério da Agricultura, figurando como potenciais fornecedores destes produtos.
O evento teve o apoio do Governo do Estado, Prefeitura de Pedra Branca, de empresários e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que assumiu o compromisso de ajudar em um projeto para a cadeia produtiva da banana, para produção em larga escala.
“Nós deixamos a nossa mensagem e já estamos pensando no evento do ano que vem. Esperamos ter muito mais apoio porque viemos para ficar”, avaliou o presidente da cooperativa.
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